Translator / Traducteur / Übersetzer / översättaren / переводчик / 翻訳者

O NOSSO PROPÓSITO

O Capitão Haddock da banda desenhada do Tintin é uma boa caricatura de como se atribui a relação entre o mar e as garrafas ao alcoolismo dos marinheiros. No entanto a relação que mais nos interessa é a de que os marinheiros tinham com as garrafas já vazias. Tal como com o álcool, a atenção requerida pela introdução de modelos de veleiros no interior de garrafas -pelos seus gargalos- fazia-os evadirem-se da sua dura realidade. Ao contrário das fantasias de Baco o resultado desta outra relação era uma fantasia perdurável com um significado quase bíblico, o do buraco da agulha e do camelo.

O Mar das Garrafas será um espaço de divulgação de uma arte que, mais do que uma evasão, constitui um meio de trabalhar a persistência. Aqui apresentarei trabalhos já realizados, outros a realizar, trabalhos de outros, os resultados da minha pesquisa contínua sobre a história e as mútiplas envolvências desta arte, especialmente a das embarcações tradicionais.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

A Garrafa do Faroleiro do Nordeste

Em 1982 quando aluguei um quarto na Vila de Nordeste , Ilha de S. Miguel, Açores, a um ex-faroleiro havia algo maravilhoso em cima de uma cómoda, um veleiro dentro de uma garrafa.

O mais fantástico, no entanto, era que não havia qualquer corte na garrafa, indicando que tinha passado pelo gargalo e, sobretudo, não havia qualquer eixo na base dos mastros de modo a que pudessem ser dobrados.


Todas as noites antes de adormecer observava essa garrafa e colocava hipóteses sobre como a escuna teria entrado pelo gargalo, pois disso não havia dúvida. Como se teriam articulado os seus mastros sem um eixo na base de cada um?

Perguntei ao Sr. Manuel Julinho, ex-faroleiro e dono da casa, mas a garrafa tinha sido feita por um tio-avô -também faroleiro- e ele nunca tinha aprendido a técnica.

Em 1984-85, no meu último ano no Nordeste, resolvi comprovar a hipótese que acabei por considerar a mais pertinente: usando estiletes que empurrassem o topo e a base dos mastros, estes acabariam por erguer-se e seriam amparados pela pressão das enxárcias (cabos laterais que ligam o topo do mastro ao casco da embarcação). Se bem o pensei melhor o fiz e nasceu a minha primeira garrafa, intitulada "Madalena do Pico", que surge no post anterior.

1 comentário:

Luís Sérgio disse...

O que faz a curiosidade . O que faz querer saber. depois da madalena, vieram outras madalenas e a paixão, pelos vistos não morreu.Ainda bem.

Luís Sérgio