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O NOSSO PROPÓSITO

O Capitão Haddock da banda desenhada do Tintin é uma boa caricatura de como se atribui a relação entre o mar e as garrafas ao alcoolismo dos marinheiros. No entanto a relação que mais nos interessa é a de que os marinheiros tinham com as garrafas já vazias. Tal como com o álcool, a atenção requerida pela introdução de modelos de veleiros no interior de garrafas -pelos seus gargalos- fazia-os evadirem-se da sua dura realidade. Ao contrário das fantasias de Baco o resultado desta outra relação era uma fantasia perdurável com um significado quase bíblico, o do buraco da agulha e do camelo.

O Mar das Garrafas será um espaço de divulgação de uma arte que, mais do que uma evasão, constitui um meio de trabalhar a persistência. Aqui apresentarei trabalhos já realizados, outros a realizar, trabalhos de outros, os resultados da minha pesquisa contínua sobre a história e as mútiplas envolvências desta arte, especialmente a das embarcações tradicionais.

terça-feira, 30 de março de 2010

O primeiro "Mar" da minha neta

A Madalena, minha primeira neta, vai fazer o seu primeiro aniversário no domingo, 4 de Abril. 

 
Como estou a fazer-lhe o seu primeiro "Mar" não voltarei a colocar qualquer post até o ter acabado. Vou fazer-lhe uma "Canoa da Picada", uma "coquette", -como as da foto que se segue- por sobre o gargalo de um pequeno balão de ensaio.


Será a segunda que realizo. A primeira foi feita ainda nos anos oitenta do século passado e o próprio casco foi  construído no interior da garrafa. Falarei dela em pormenor mais tarde.



Contudo, adianto já que o nome "picada" vem da Sardinha "salpicada" -picada de sal- que esta embarcação rápida -canoa- ia buscar às "Muletas", que a pescava no mar diante da Cascais, para a levar rapidamente para Lisboa.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Uma gracinha!

Encontrei este pequeno "Mar" com uma escuna,  mas não me lembro a quem a ofereci. Foi só uma gracinha!




Notem, no entanto, como os cabos estão bastante bem proporcionados. Alguém saberá dizer-me como os fiz? Nuno, Alan,  João e Bicas, convosco não vale...

sábado, 27 de março de 2010

Os "Mares" da Deutsche Buddelschiffer Gilde


A Associação Alemã de Contrutores de Barcos em Garrafas, Deutsche Buddelschiffer Gild, tem o seguinte logo em que podem clicar para visitar o seu sítio:


Antes de visitarem este sítio, magnífico, podem ver uma das várias peças de cada um dos seus vários associados :








Esta Associação tem a sua ligação referenciada no espaço referente aos sítios que recomendamos desde o início deste blogue.


quarta-feira, 24 de março de 2010

Tous les Bateaux du Monde

O Nuno Miranda enviou-me uma ligação espantosa para uma exposição virtual do Musée national de la marine. Trata-se da colecção do almirante Pâris. Deliciem-se, clicando na imagem.



Quando forem clicar em "Europe" encontrarão esta  modelo magnífico de uma "Muleta" do Seixal:

sábado, 20 de março de 2010

Meu amigo Samuel Corujo

Este texto foi escrito há 10 anos para a revista "Rose des Vents". Por qualquer razão nunca foi publicado, mas publico-o aqui hoje, retrovertendo-o para português, em memória de:


Meu amigo Samuel Corujo

(Adaptação do artigo de Artur Ramisote, « Ílhavense » , 15 de Abril de 1998)



O meu amigo Samuel Corujo, nascido a 15 de Fevereiro de 1922 na cidade marítima de Ílhavo, é hoje (2000), um dos raros homens do mar que continua a tradição ancestral da realização de barcos no interior de garrafas em Portugal.

Com 15 anos de idade, embarcou pela primeira vez numa embarcação da frota comercial, numa escuna de quatro mastros -a "Anfitrite"-, tendo viajado para as costas de África e da América.

Em 1941, precisamente no dia do seu 19.º aniversário, Samuel naufragou ao largo de Peniche a bordo do "Patriotismo"(primeira fotografia). Aí a sua mão direita ficou seriamente afectada para sempre (segunda fotografia).

Depois do serviço militar Samuel voltou ao mar, embarcando no "Alexandre Silva" que fazia carreira para os Estados Unidos da América. Neste país abandonou o barco e ficou como imigrante clandestino durante um ano, ao fim do qual foi repatriado.




















Em 1948, ano em que se casou, voltou de novo ao mar, mas desta vez para a pesca do bacalhau no Cabo Branco. Em 1966 naufragou pela segunda vez, agora no "Santa Mafalda" (terceira fotografia). À saída da Barra de Lisboa um problema no leme lançou o barco contra as rochas e, sobre uma grande tempestade, todos os seus tripulantes acabaram por ser salvos através de um cabo.




Nos dois naufrágios passou momentos dramáticos que nunca esquecerá.

Em 1976 Samuel reformou-se e foi então que, para combater a inactividade e o consequente isolamento, começou a consagrar o seu tempo à arte utilizada pelos seus velhos companheiros quando, no mar, as condições do tempo não deixavam pescar.

Foi um primo de Sintra, também marinheiro, que lhe transmitiu a herança da sua família já ligada à marinha. Depois de ter vencido as dificuldades tão comuns a quem ousa navegar por estes mares, sobretudo quando a sua mão direita estava afectada em consequência do seu primeiro naufrágio, Samuel continuava a herança dos homens do mar!





Em Portugal os seus trabalhos estão expostos no Museu da Marinha, Ministério dos Negócios Estrangeiros, Museu Marítimo de Ílhavo e mesmo nas salas de exposições da Presidência da República. Nos Estados Unidos da América os seus trabalhos estão no Museu Marítimo de S. Francisco e no Museu do Mar de Filadélfia.

sexta-feira, 19 de março de 2010

O "Mar" da Solidariedade

Um casal espanhol construiu um barco em forma de garrafa para realizar uma viagem de Tenerife (Espanha) a Nova York (EUA). 















Os aventureiros começaram a sua viagem em Março de 2006 e a chegada aos EUA estava prevista para Maio de 2007, o que não sabemos se aconteceu.


















Ao contrário do que se poderá pensar a referência para tal construção não foi a dos barcos em garrafas, mas a das mensagens em garrafas, como aparece no nome da embarcação ("Message in a Bottle"). Essa mensagem destinava-se a chamar a atenção para a pobreza infantil.

terça-feira, 16 de março de 2010

A réplica da nave de Gokstad: a nave viking Gaia

Nestes vídeos pode ver-se a réplica da nave de Gokstad ,"Gaia", em Volda, Noruega em 1990. O Gaia atravessou o Atlântico até  aos Estados Unidos da América em 1991. Actualmente encontra-se ancorado em Sandefjord, Vestfold. Pode ler mais sobre o  Gaia e outras naves vikings em http://www.vikingskip.com




domingo, 14 de março de 2010

A nave viking de Gokstad / Das Gokstadschiff

Encontrei este vídeo no Youtube sobre a construção da nave Viking de Gokstad.  


Ralph Preston é talvez o miniaturista que melhor expressou um "Mar" Viking. Vejam como o realizou clicando aqui



sábado, 13 de março de 2010

O Mar do João Pedro

Há 22 anos, 13 de Março de 1988, nasceu o meu filho, João Pedro Figueiredo Alves Luna de Carvalho. Na noite desse dia introduzi o  clipper Termophilae no pequeno frasco do anestésico que a Ana recebeu para o seu parto.



O Thermophilae foi um dos clipper mais rápidos que existiu, tendo chegado a bater o Cutty Sark numa das corridas do chá da China para Inglaterra.


Um pai quer o melhor para o seu filho!

Hoje o João faz 22 anos e também já fez uma miniatura de um veleiro numa garrafa. Saíu na capa e nas páginas principais do "Bottle Ship", revista da Associação Europeia de Barcos em Garrafas !

Hei-de mostrá-lo num outro post. PARABÉNS JOÃO!!!

quinta-feira, 11 de março de 2010

O Mar do Caíque "Bom Sucesso"

Encontrei este vídeo do Caíque "Bom Sucesso II", já aqui referido.  Embora não se veja a sua navegação com o pano das velas e esteja a chegar a um porto, não deixa de revelar ser uma bela embarcação. Como se pode ver, comparando o tamanho e a quantidade dos passageiros, ainda é uma embarcação de algum tamanho. Creio que este filme retrata o episódio da chegada de uma das muitas viagens que esta embarcação realiza com turistas em Olhão no Algarve, Portugal.

           

terça-feira, 9 de março de 2010

O Mar, poético, de Johanna M. Evenson

Johanna M. Evenson  soube que tinha publicado o seu vídeo com uma canção sobre barcos em garrafas, que pode ver aqui. Como estava em Sueco esta Senhora resolveu enviar-nos  uma tradução em inglês. 

Thanks Johanna, this is a beautiful poem!

The Ship in a Bottle

With her sails raised and the flag at the top
the ship in the bottle has waited, and almost given up
her dream of one day going to sea
and saying good bye to

the bottle that is holding the sailboat captive,
because the bottleneck is narrow and the only exit.
Placed as decoration on a shelf in the living room
is the ship, which never seems to stop mystifying

a number of guests who are asking themselves: How
did the ship’s builder get the ship into the bottle?
But one day the grandchild Hans sees the boat.
He pulls up a chair so that he can reach it.

As he touches the glass bottle
the bottle falls to the floor and breaks.
The freed boat sails on the sea of glass
and the boy, despite the accident, smiles satisfied.

Carefully he takes the ship in his arms
and runs to the beach and builds a port.
And suddenly the moment of launching is here!
So erect the mast on our proud galley-ship

when she raise the anchor and sails away
without a captain and without a sailor.
She is coasting along on her maiden voyage.
She is steered by the wind that suddenly turns into a gust.

It pulls the sails and asks her to dance,
but the ship, she looses her balance.
She capsizes, sinks and is drowned by the sea
that finally is going to be her grave.

She is sucked to the bottom and she lands at last
on a soft seaweed branch.
She is resting in the silence, everything is quiet
until one little roach, for whom things almost ended badly,

hides itself in the ship, away from hungry fish
that angrily whip their tails around the boat.
And the ship is happy with the task she has been given
and things back at the time that is past.

Her voyage was short but she enjoyed every minute,
and although she ended up a ship-wreck at the end
our ship in a bottle thinks that what is important
is that she become a real ship at last. 







domingo, 7 de março de 2010

O Mar dos "Caíques Algarvios"

Os Caíques Algarvios eram embarcações com duas velas latinas e fizeram por vezes navegações muito longínquas. Chegaram ao Brasil e ao Sul de Angola, neste caso também com o avô de um grande amigo meu.




A fotografia do painel de azulejos representa o Caíque "Bom Sucesso", de Olhão no Algarve, chegando ao  Rio de Janeiro, no Brasil, em 1808 para anunciar a D. João VI  a vitória final sobre os Francesas. Clique aqui para ler o registo da viagem.


Na fotografia anterior podemos ver a réplica do Caíque "Bom Sucesso". Esta embarcação está hoje ao serviço do turismo algarvio.



















 
















As miniaturas anteriores, excepto a última,  já apresentada, foram executadas em pequenas garrafas de colecção e foram oferecidas a vários amigos. Falta-me fazer o Caíque num "Mar" mais visível, pois é uma das embarcações tradicionais portuguesas mais belas e "atrevidas".

sábado, 6 de março de 2010

Os Mares de "Matuto"

Realizei este Mar quando ainda era um recém-vindo a esta navegação, quase um "Matuto". Troquei-a por um torno ao  Zé Manel que, além de ser professor como eu, tinha e tem a mesma paixão pelo modelismo naval, embora a uma escala que não se compadece com o corpo vítreo de uma garrafa. Telefonei-lhe hoje e estava numa regata no meio do Tejo! 


Um abraço Zé e vai dizendo qualquer coisinha...

O Mar da Vida

Enviaram-me esta imagem com o título "A vida em cinco garrafas" e decidi dar-lhe um retoque... vital, sobrepondo a essas cinco garrafas a VERDADEIRA garrafa da vida!

P.S.
...Pronto admito que sem a terceira garrafa não existiria a que se sobrepõe!!!


terça-feira, 2 de março de 2010

Os Mares de "Primeira Água": O Mar da Canhoneira "Mandovi"


A Canhoneira "Mandovi", em cima, foi miniaturizada e colocada dentro de uma garrafa por um seu marinheiro durante a sua estadia em Cabo Verdeentre 1898 e 1899. Depois foi oferecida ao seu comandante –Fontoura da Costa- que a conservou, estando hoje na posse dos seus descendentes.








Estes modelos feitos pelos próprios tripulantes das embarcações miniaturizadas são de primeira água!

(As fotos da miniatura foram tiradas numa exposição sobre Fontoura da Costa no Museu do Mar em Cascais em Portugal)

O mar dos caiaques

Tenho um caiaque para dois tripulantes, utilizo-o com frequência  para navegar nos estuários e nos mares como o que se inicia no ponto da fotografia que se segue (de que não digo o nome para o manter paradisíaco :-). 

 O problema é que nunca poderei realizar um "Mar de Garrafa" com esta minha embarcação. É que lhe retira a magia bíblica do "camelo pelo buraco de uma agulha". Sem velas e consequentes mastros esta embarcação transforma o camelo numa minhoca, capaz de entrar em qualquer gargalo, por pequeno que seja. No entanto descobri agora que tenho uma solução: colocar-lhe o tão desejado e mágico aparelho vélico. Vejam o vídeo, filmado na Baía de Maho em St. John.

(www.sailboatstogo.co)