Translator / Traducteur / Übersetzer / översättaren / переводчик / 翻訳者

O NOSSO PROPÓSITO

O Capitão Haddock da banda desenhada do Tintin é uma boa caricatura de como se atribui a relação entre o mar e as garrafas ao alcoolismo dos marinheiros. No entanto a relação que mais nos interessa é a de que os marinheiros tinham com as garrafas já vazias. Tal como com o álcool, a atenção requerida pela introdução de modelos de veleiros no interior de garrafas -pelos seus gargalos- fazia-os evadirem-se da sua dura realidade. Ao contrário das fantasias de Baco o resultado desta outra relação era uma fantasia perdurável com um significado quase bíblico, o do buraco da agulha e do camelo.

O Mar das Garrafas será um espaço de divulgação de uma arte que, mais do que uma evasão, constitui um meio de trabalhar a persistência. Aqui apresentarei trabalhos já realizados, outros a realizar, trabalhos de outros, os resultados da minha pesquisa contínua sobre a história e as mútiplas envolvências desta arte, especialmente a das embarcações tradicionais.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

O "Mar Republicano" de Garibaldi

   Garibaldi foi chamado "heroi de dois mundos" por ter lutado pela liberdade na Europa e na América (Brasil) e não há dúvida que a odisseia  da sua escuna "Seival" figurará num dos "mares" das minhas garrafas.
   De acordo com a Wikipédia, "Garibaldi aproximou-se dos republicanos que haviam proclamado a República Rio-grandense (11 de setembro de 1836), no Rio Grande do Sul e tornou-se uma figura importante na Guerra dos Farrapos, ou Revolução Farroupillha, na qual os republicanos do sul combateram o Império do Brasil. Ao lado do general Davi Canabarro (descendente de Açoreanos), tomou o porto de Laguna, em Santa Catarina, onde foi proclamada a República Catarinense (República Juliana)."

 Bandeira da República Catarinense

"A marinha da jovem República Riograndense estava bloqueada na lagoa dos Patos, pois as forças imperiais dominavam a cidade de Rio Grande, na saída da lagoa para o mar. Para levar as forças republicanas até a cidade de Laguna, Garibaldi levou seus dois barcos através de um trecho de 86 quilômetros de terra, utilizando enormes carretas puxadas por duzentos bois."


   Augusto Chagas em "Barco Seival, o completo relato da grande epopeia por águas gaúchas "refere que "um hábil carpinteiro chamado Abreu foi o encarregado de executar a encomenda (da construção das carretas para as duas embarcações consideradas necessárias), calculada pessoalmente por Garibaldi. Cada uma das carretas tinha dois eixos reforçados e quatro rodas, com cubos de 80 cm, 3,20 m de raio, 30 cm de largura e 10 barras de raio em cada uma delas sobre carreta de 8 rodas, por cerca de 200 bois. O transporte foi feito através de campos enlameados pelas chuvas de inverno. As lanchas seriam usadas para romper o cerco e fazer a tomada de Laguna – Santa Catarina. Este foi o mais fantástico acontecimento da guerra, e talvez um dos lances de combate mais geniais da história."

Esta fotografia retrata o "Seival" a única escuna, também chamada "lanchão" que chegou a Laguna.

 Voltando a Wikipédia, "em Laguna, Garibaldi conheceu Ana Maria de Jesus Ribeiro, conhecida depois como Anita Garibaldi, com quem se casaria e que se tornaria sua companheira de lutas na América do Sul e depois na Itália. Quando, após quase uma década de luta, ficou evidente que a República Rio-grandense estava condenada a desaparecer, o presidente Bento Gonçalves dispensou Garibaldi de suas funções, e ele então mudou-se para Montevidéu, no Uruguai, com Anita e seu filho Menotti, nascido em Mostardas, no litoral sul do estado do Rio Grande do Sul."


No Brasil realizou-se um, filme chamado "A casa das sete mulheres" sobre este acontecimento, é imperativo vê-lo! 



1 comentário:

Sergio Nunes disse...

David

Que bela retomada de nossa história, nada como um bom Historiador para contá-la. Aqui no Brasil, tivemos a oportunidade de assistir ao sereado "A Casa das 7 Mulheres" que foi realmente um sucesso.

Abraços!