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O NOSSO PROPÓSITO

O Capitão Haddock da banda desenhada do Tintin é uma boa caricatura de como se atribui a relação entre o mar e as garrafas ao alcoolismo dos marinheiros. No entanto a relação que mais nos interessa é a de que os marinheiros tinham com as garrafas já vazias. Tal como com o álcool, a atenção requerida pela introdução de modelos de veleiros no interior de garrafas -pelos seus gargalos- fazia-os evadirem-se da sua dura realidade. Ao contrário das fantasias de Baco o resultado desta outra relação era uma fantasia perdurável com um significado quase bíblico, o do buraco da agulha e do camelo.

O Mar das Garrafas será um espaço de divulgação de uma arte que, mais do que uma evasão, constitui um meio de trabalhar a persistência. Aqui apresentarei trabalhos já realizados, outros a realizar, trabalhos de outros, os resultados da minha pesquisa contínua sobre a história e as mútiplas envolvências desta arte, especialmente a das embarcações tradicionais.

domingo, 30 de maio de 2010

O "Mar" do "Pen Duick I"

Este é um dos veleiros que está programado para os meus "Mares"!




quarta-feira, 26 de maio de 2010

O "Mar" de Yinka Shonibare foi inaugurado!




O "Mar de Garrafa" do artista anglo-nigeriano Yinka Shonibare foi inaugurado a 24 de Maio deste ano em Trafalgar Square, Londres, Inglaterra. O "Mar" de Yinka representa o navio de Nelson, o HMS Victory (foto anterior), numa garrafa, feita em acrílico por especialistas em aquários de Roma. Com 4.7 m de comprimento e 2,8 m de diâmetro, este "Mar" -provavelmente o primeiro erguido a categoria de monumento nacional- reflecte  o simbolismo histórico de Trafalgar Square e interliga-o com a actual multiculturalismo londrino, pois as 37 velas do navio de Nelson são feitas de tecidos estampados com padrões africanos. É pena que o gurupés não esteja voltado para a base da garrafa, pois seria a forma de assinalar outra referência cultural, a asiática!








Em baixo pode ver-se como se utilizou o método de Alain Trégou da ABB (na primeira fotografia que se segue) para construir o "Mar" que agora é de Trafalgar Square :-)))!

 



















quinta-feira, 20 de maio de 2010

Os "Mares" da "Association Bateaux en Bouteilles"


A ABB, "Association Bateaux en Bouteilles", foi fundada em Marselha em 1977 e é a associação francesa de miniaturistas de barcos em garrafas. O boletim "Rose des Vents" é o elo principal entre os seus sócios e tem permitido grande troca das suas experiências. Eu pertenço a esta associação desde 1993 e tem sido uma experiência muito enriquecedora.

Por cortesia de Gérard Breillat, Presidente da ABB,  podem ver fotografias mostrando um modelo de cada miniaturista com obra exposta.

Em "Le secret dévoilé" (o segredo revelado) podem aprender  o método dos "Cap-Horniers" ensinado por Bernard Gallet e Christian Lelandais.



Alain Trégou 2009


Bernard Dulou 1987


Ch. Montouroy 1985



Christian Lelandais 2006





Gérard Aubry - Rabelo du Douro


Gérard Breillat 2008


Gérard Turbé, 1992





Jean-Claude Delamarre

 


Jean-Louis Harel 2000 - Blue Nose




Jean-Louis Molle 2009



Michel Aussenard 2008




Paul Chaud 1986























David Luna de Carvalho 1992 - HMS Beagle

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Os "Mares" do Sérgio

Sérgio Nunes é um amigo brasileiro que partilha esta nossa paixão. O Sérgio tem um blogue chamado "O Veleiro na Garrafa" e recomendo-o a todos os que quiserem aprender a fazer veleiros no interior de garrafas. Clique na imagem para estabelecer contacto com o seu blogue.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Os "Mares" das caravelas


Caravela St.ª Cruz da Aporvela

Ao contrário da caravela simples, na imagem anterior, a caravela redonda (finais do Séc. XV e meados do Séc. XVI) é chamada assim por ter uma vela rectangular -chamada de redonda- a par das velas latinas.


Nunca realizei qualquer miniatura de uma caravela, mas o meu amigo Nuno Miranda (na fotografia) já o fez, tendo resultado a bonita peça que se pode ver nas fotografias que se seguem. É um modelo à escala, com o casco oco.


Cortesia de Pedro Martins ©









domingo, 9 de maio de 2010

O "Mar" da Política: a Garrafa Liberal de Ílhavo

No Museu Marítimo de Ílhavo existe uma das mais belas peças que já vi e tenho pena que não esteja exposta ao público. Trata-se de uma garrafa alusiva ao processo revolucionário liberal português do Séc. XIX  e, em lugar de um veleiro, contém uma dobadoira onde se produz o fio branco, doirado e azul da bandeira constitucional. Além de figuras como tambores e bandeiras constitucionais surgem também canhões e, embora não se veja, penso que contém uma pena de escrita e um livro. A encimar esta dobadoira surge uma cruz. Esta garrafa não está datada, mas a invocação de canhões e tambores faz supor que tem a ver com a guerra civil entre Liberais e Absolutistas que decorreu entre 1828 e 1834.
A elegância e apuro de pormenor desta peça coloca -nos em consideração ter sido produzida por alguém de um elevado estatuto social, à semelhança das garrafas de Giovanni Biondo.



Peças como esta, albergando motivos diferentes de embarcações, aproximam-se das chamadas "Garrafas Mistério" ou "Garrafas do Impossível", mas  a sua intenção não é uma mera chamada de atenção para o impossível. A garrafa de Ílhavo pretende ser comemorativa e símbolo de um tempo em que o politicamente "impossível" conseguiu tornar-se possível!

terça-feira, 4 de maio de 2010

Gargalo e gurupés!

Os dois registos publicitários que se seguem servem muito bem para chamar a vossa atenção para a similitude entre o desenho de uma garrafa e o do casco de uma embarcação.


No registo anterior o gurupés do veleiro está virado para o gargalo, devido à sua semelhança.



Neste outro já sucede o contrário, o gurupés está orientado para a base da garrafa.


O primeiro tipo de abordagem dos registos publicitários é o mais frequente entre os miniaturistas de "Mares" de garrafas no Ocidente. Na fotografia anterior pode verificar-se que em todos os veleiros da colecção de Pablo Neruda os seus gurupés estão orientados para o gargalo, dando ideia de uma simbiose perfeita entre a embarcação e a garrafa que o contém.




Contudo, nos "Mares" de garrafas também existem exemplos da tendência do segundo registo publicitário. Nas fotografias anteriores, com modelos de Juzo Okada, podemos ver que as embarcações se encontram voltadas para a base da garrafa. Esta é uma característica da maioria dos miniaturistas japoneses e é explicada pela sua cultura náutica. Habituados à forma dos Juncos, onde a popa não se distingue tanto da proa (na maioria das vezes sem gurupés) como nas embarcações ocidentais, a similitude entre gargalo e gurupés é-lhes estranha. Isto acontece mesmo quando, como no caso da fotografia que se segue, fazem embarcações de tipo ocidental.


Nos modelos representados a seguir, realizados por mim, pode ver-se que segui a tendência japonesa, mesmo sem o saber. A explicação para tal não é, no entanto, idêntica... eu procurava intencionalmente alguma originalidade, contrariando a simetria!


domingo, 2 de maio de 2010

A "Coquette" da Madalena

A construção da "Coquette" da minha neta, Madalena, continua atrasada mas já se pode ver alguma coisa: