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O NOSSO PROPÓSITO

O Capitão Haddock da banda desenhada do Tintin é uma boa caricatura de como se atribui a relação entre o mar e as garrafas ao alcoolismo dos marinheiros. No entanto a relação que mais nos interessa é a de que os marinheiros tinham com as garrafas já vazias. Tal como com o álcool, a atenção requerida pela introdução de modelos de veleiros no interior de garrafas -pelos seus gargalos- fazia-os evadirem-se da sua dura realidade. Ao contrário das fantasias de Baco o resultado desta outra relação era uma fantasia perdurável com um significado quase bíblico, o do buraco da agulha e do camelo.

O Mar das Garrafas será um espaço de divulgação de uma arte que, mais do que uma evasão, constitui um meio de trabalhar a persistência. Aqui apresentarei trabalhos já realizados, outros a realizar, trabalhos de outros, os resultados da minha pesquisa contínua sobre a história e as mútiplas envolvências desta arte, especialmente a das embarcações tradicionais.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Gargalo e gurupés!

Os dois registos publicitários que se seguem servem muito bem para chamar a vossa atenção para a similitude entre o desenho de uma garrafa e o do casco de uma embarcação.


No registo anterior o gurupés do veleiro está virado para o gargalo, devido à sua semelhança.



Neste outro já sucede o contrário, o gurupés está orientado para a base da garrafa.


O primeiro tipo de abordagem dos registos publicitários é o mais frequente entre os miniaturistas de "Mares" de garrafas no Ocidente. Na fotografia anterior pode verificar-se que em todos os veleiros da colecção de Pablo Neruda os seus gurupés estão orientados para o gargalo, dando ideia de uma simbiose perfeita entre a embarcação e a garrafa que o contém.




Contudo, nos "Mares" de garrafas também existem exemplos da tendência do segundo registo publicitário. Nas fotografias anteriores, com modelos de Juzo Okada, podemos ver que as embarcações se encontram voltadas para a base da garrafa. Esta é uma característica da maioria dos miniaturistas japoneses e é explicada pela sua cultura náutica. Habituados à forma dos Juncos, onde a popa não se distingue tanto da proa (na maioria das vezes sem gurupés) como nas embarcações ocidentais, a similitude entre gargalo e gurupés é-lhes estranha. Isto acontece mesmo quando, como no caso da fotografia que se segue, fazem embarcações de tipo ocidental.


Nos modelos representados a seguir, realizados por mim, pode ver-se que segui a tendência japonesa, mesmo sem o saber. A explicação para tal não é, no entanto, idêntica... eu procurava intencionalmente alguma originalidade, contrariando a simetria!


3 comentários:

Florindo Silva disse...

bonitas fotos e um trabalho magnifico...

David Luna de Carvalho disse...

Muito obrigado pela sua apreciação. Ficamos felizes por ter manifestado o seu agrado pelo nosso trabalho de divulgação!

Um abraço

Sergio Nunes disse...

Sempre trazendo novidades, parabéns!
Gostei muito desses dois trabalhos...
Abraços.
Sergio