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O NOSSO PROPÓSITO

O Capitão Haddock da banda desenhada do Tintin é uma boa caricatura de como se atribui a relação entre o mar e as garrafas ao alcoolismo dos marinheiros. No entanto a relação que mais nos interessa é a de que os marinheiros tinham com as garrafas já vazias. Tal como com o álcool, a atenção requerida pela introdução de modelos de veleiros no interior de garrafas -pelos seus gargalos- fazia-os evadirem-se da sua dura realidade. Ao contrário das fantasias de Baco o resultado desta outra relação era uma fantasia perdurável com um significado quase bíblico, o do buraco da agulha e do camelo.

O Mar das Garrafas será um espaço de divulgação de uma arte que, mais do que uma evasão, constitui um meio de trabalhar a persistência. Aqui apresentarei trabalhos já realizados, outros a realizar, trabalhos de outros, os resultados da minha pesquisa contínua sobre a história e as mútiplas envolvências desta arte, especialmente a das embarcações tradicionais.

sábado, 19 de junho de 2010

o "Mar" da "Rasca da Ericeira"


A Rasca era uma embarcação com vinte metros, borda alta e três velas latinas.  Inicialmente de pesca, foi, depois, utilizada como embarcação de carga. Em 1821, por exemplo, a Rasca "N.ª Sr.ª da Conceição" da Ericeira transportava 40 caixas de chá, mobília e várias encomendas, quando encalhou na Baía de Gibraltar juntamente com dois "Caíques" e uma escuna (in Suplemento de  O Independente, n.º 12, Imprensa Nacional, Lisboa, 1822).

Mais conhecida como "Rasca da Ericeira", vila piscatória junto a Mafra, a Rasca era uma embarcação esplêndida que, como os "Caíques",  também chegou a navegar para o Brasil.

A Rasca tornou-se anti-económica pela numerosa tripulação necessária para laborar com o seu aparelho vélico e no fim do Século XIX já não restava qualquer exemplar, havendo hoje apenas uma âncora como vestígio.



Não conheço qualquer modelo realizado à escala de Rascas, mas o Museu da Marinha possui os seus planos e existem alguns modelos de traça popular.

                                                                            Modelo do Museu da Misericórdia, Ericeira





















                                Modelo do Museu do Mar (Cascais)






















Em 1989 realizei uma miniatura à escala 1/160 com base nos planos do Museu da Marinha e no esquema de cores do modelo do Museu do Mar. Podem vê-la nas fotografias e no vídeo que se seguem.




















































2 comentários:

jose disse...

É sempre bom ver alguém que se interessa pelo nosso património náutico tão esquecido. Esta rasca está um primor como seria de esperar. Adianto só um pequeno esclarecimento. Há dúvidas fundadas sobre se os planos do Museu de Marinha representam de facto uma rasca. Os raros modelos existentes quer na Ericeira quer no Museu do Mar de Cascais apresentam algumas diferenças importantes relativamente a esses planos e mesmo entre si, de modo que o caso é controverso e foi possívelmente essa a razão pela qual o nosso "amigo" Seixas não tentou a reprodução desse tipo de embarcação ( a sua preocupação pelo rigor é conhecida). Aliás, é perfeitamente natural que tenham existido rascas com características diferentes ao longo do tempo.

Nuno Miranda disse...

A rasca da Ericeira também era chamada de caíque da Ericeira, caíque ou caíque de três mastros, o que me faz suspeitar que a designação se refere mais ao aparelho de três velas de bastardo do que ao casco (tal como os termos barca, clíper, etc).