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O NOSSO PROPÓSITO

O Capitão Haddock da banda desenhada do Tintin é uma boa caricatura de como se atribui a relação entre o mar e as garrafas ao alcoolismo dos marinheiros. No entanto a relação que mais nos interessa é a de que os marinheiros tinham com as garrafas já vazias. Tal como com o álcool, a atenção requerida pela introdução de modelos de veleiros no interior de garrafas -pelos seus gargalos- fazia-os evadirem-se da sua dura realidade. Ao contrário das fantasias de Baco o resultado desta outra relação era uma fantasia perdurável com um significado quase bíblico, o do buraco da agulha e do camelo.

O Mar das Garrafas será um espaço de divulgação de uma arte que, mais do que uma evasão, constitui um meio de trabalhar a persistência. Aqui apresentarei trabalhos já realizados, outros a realizar, trabalhos de outros, os resultados da minha pesquisa contínua sobre a história e as mútiplas envolvências desta arte, especialmente a das embarcações tradicionais.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

O velho marinheiro e a nova grumete

Hoje, 30 de Julho, em Grove.


quarta-feira, 28 de julho de 2010

Os "Mares da Dorna"


Continuo de férias e hoje fui a Grove, na Galiza. Em Grove uma das coisas que me é indispensável é voltar a ver as dornas, que são os barcos tradicionais da Ria de Arosa mais abundantes. Deixo-vos com algumas fotografias, nomeadamente da dorna "A Meca" que tem um blogue em seu nome, listado desde há muito na nossa lista de blogues (clique aqui para o ver).


Fotografia do cartaz sobre a XIV Regata dos Faros, que decorreu a 17 de jullho

 
Dorna "A Meca"




















Dorna  "A Meca"


Dorna "A Meca"



Dorna mais pequena a seco


terça-feira, 27 de julho de 2010

O "Mar" da História Trágico-Marítima de Portugal por José Saramago



Estou de férias na Galiza e no País Basco, junto ao mar e nele, e desta vez trouxe "A História Trágico-Marítima" de  Gomes de Brito como leitura. É uma excelente edição da saudosa editora portuguesa "Afrodite" de Fernando Ribeiro de Mello, anterior à Revolução dos Cravos de 1974.

Deixo-vos com uma apreciação de José Saramago, prémio nobel da literatura que nos deixou à pouco, sobre uma obra com o mesmo contexto e editada pela mesma editora, a "História Trágico -Marítima" de Gomes de Brito. Trancrevemos, com a devida vénia, um post do blogue Afrodite, Página sobre as Edições Afrodite/ Fernando Ribeiro de Mello.

José Saramago nas Edições Afrodite 

 



Recuperamos um post aqui publicado em Outubro de 2008, onde apresentámos alguns excertos do comentário de José Saramago para a edição da História Trágico-Marítima, intitulado A Morte Familiar:

... que representa hoje para nós este longo rosário de morte e sofrimento, despido de todos os prestígios do heroísmo vivo ou da sua exploração literária?
Por quanto entendo, a História de Gomes de Brito é um livro menosprezado que sofre também daquela espécie de maldição mansa que desceu sobre as Crónicas de Fernão Lopes, sobre a Peregrinação, sobre tantas outras obras que vamos encontrar nas esquinas da cultura com todos os rótulos adequados: «clássico», «importante», «fundamental», e que, após a leitura forçada pela obrigação escolar ou estimulada por um interesse acidental, são postas de lado, até nunca mais. Delas é preciso falar para que fique claro que não se é alheio à literatura herdada dos séculos, mas fala-se com aquele ar de pouco caso que é também receio de que a ocasião exija maior aprofundamento: aí não chegaram os benefícios de qualquer folhear apressado.
A de História Trágico-Marítima é pois um livro desconhecido. Condensa-a uma ficha «cultural» definitivamente catalogada, alinhada de lugares-comuns para uso rápido e descomprometido. Nesse estado de documento a duas dimensões, é muito mais infalível do que seria a leitura verdadeira, com certeza inquieta, talvez demolidora de convicções habituais e de ideias feitas.
Dizer dela que representa a face oxidada do doirado medalhão da descoberta e da conquista, poderia ser, para além da metáfora, um ponto de partida polémico e estimulante. Mas acontece neste caso o que também em muitos outros de igual alternância se verifica: o princípio estabelecido pelos hábitos culturais cobre em excesso a realidade – e oculta-a. E isto é precisamente o que a vida quotidiana luta para fazer à morte: escondê-la, ocultá-la, esquecê-la, se possível. Para a questão em causa (quem foram de facto, que fizeram verdadeiramente por esses mares os portugueses do séc xvi) dispomos até da ocultação por excelência: o triunfalismo de Os Lusíadas.

(...)

São milhares os portugueses, desde o grumete da alfama ao fidalgo de avós godos, que morrem aos gritos nestas páginas; são milhares os escravos que igualmente morrem, mas em silêncio, porque deles não ficou nem o nome nem a voz.

(...)

A expressão do sofrimento é contínua na História Trágico-Marítima. São brevíssimas as pausas neste lamento que se desenrola como uma melopeia infinita, sem esperanças de que a escutem, e que se contenta com ouvir-se a si mesma.

(...)

E é neste ponto que chego a um dos aspectos que mais fundamente me tocam na História Trágico-Marítima: precisamente, a familiaridade da morte. Nos Lusíadas, epopeia oficializada de uma nação largada na aventura do mar desconhecido, a morte é cenográfica, adorna-se de um fundo de deuses complacentes e risonhos, violentos só por necessidade de clímax. Tudo se passa como se já a pátria ali estivesse presente, abençoando os heróis e os mártires, desenhando-lhes estátuas para a reverência da posteridade.
posted by ricardo jorge at 2:15 PM

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Os kit de "Mares de Garrafas"


Neste post vamos falar de barcos em garrafas em kit mas, antes do mais, devo dizer que os miniaturistas consagrados não utilizam tais construções pré-fabricadas. Eles fazem  a própria miniatura da embarcação, com todas as suas peças. 

Faço esta chamada de atenção porque o número de pessoas que me perguntam onde comprei o barquinho que coloquei dentro da garrafa já é incontável.

Nos anos 50 era comum a publicidade a "Mares de Garrafas" em kit, a revista "Life" apresentava-os como novo hobby ou prenda de natal ideal.


 





Actualmente a WEB também nos apresenta muitas propostas, das quais vos mostramos algumas:


 


 



















 


























sexta-feira, 16 de julho de 2010

7º Congresso European Maritime Heritage, Seixal


De 23 a 25 de Setembro de 2010, o Ecomuseu organiza o congresso da associação European Maritime Heritage, intitulado “Somos capazes de transmitir o património marítimo às gerações futuras?
Nos últimos anos, as instituições relacionadas com a preservação e a gestão do património, entre as quais se incluem os museus, têm vindo a reflectir sobre os modos como podem implicar os jovens nos processos de protecção e valorização patrimonial. Esta questão reveste-se da maior importância a partir do momento em que se reconheça que os jovens poderão ser, simultaneamente, os futuros visitantes e/ou utilizadores dos recursos patrimoniais, os futuros profissionais das áreas técnicas e científicas relacionadas com o património e, finalmente, os futuros depositários dos testemunhos patrimoniais, a quem caberá, por sua vez, a missão de os preservar e transmitir às gerações que lhes seguirão.  

Constata-se a necessidade de encontrar formas de estimular o interesse dos jovens pelo património, fazendo com que os mesmos participem activamente na definição dos programas de natureza patrimonial. Através da interacção com os jovens, quer os museus, quer as demais instituições relacionadas com o património, estarão a contribuir para a formação das sociedades futuras.

O 7º Congresso European Maritime Heritage centrar-se-á sobre estas matérias, reportadas ao património marítimo. Através da sua organização, o Ecomuseu Municipal do Seixal visa promover a troca de experiências e o desenvolvimento da cooperação entre museus marítimos e outras entidades envolvidas no conhecimento, na salvaguarda e na valorização do património marítimo.

O meu amigo José Manuel Faria vai apresentar uma comunicação sobre os "Moliceiros"!

terça-feira, 13 de julho de 2010

ARNHEM OPEN AIR MUSEUM

No material não utilizado da British Pathé continua a aparecer "Mares de Garrafas". Desta vez são extractos de um filme, realizado entre 1950 e 1959, sobre o Museu ao ar livre de Arnhem na Holanda. O miniaturista De Boer constrói barcos em garrafas numa das réplicas de edifícios históricos.



Clique na imagem para ver o vídeo.

sábado, 10 de julho de 2010

O primeiro "Mar"

Eliseu Guerra é o nome de alguém que teve uma grande significado para mim, pois, mal lhe contei que fazia barcos em garrafas e o modo como o fazia lançou-se  de imediato, com enorme entusiasmo, na construção de um modelo. Sendo nessa altura meu aluno e demonstrando uma sistemática vontade de aprender e fazer, Eliseu  não desperdiçava oportunidades de se lançar nas aventuras do conhecimento, da experimentação e, também, do maravilhoso. Dedico-lhe hoje este post, porque consegui falar com ele, coisa que quis fazer desde que iniciei este blogue mas não sabia do seu contacto. É que o Guerra também me ensinou muito, nomeadamente, como sobreviver a desentendimentos com programas informáticos.




Como se pode ver o primeiro "Mar" do Eliseu foi um cutter colocado numa garrafa cuidadosamente escolhida para que a embarcação fosse bem vista. Para alguns pode parecer sinal de ingenuidade procurar uma garrafa tão boa para um primeiro modelo. A mim parece-me exactamente a melhor escolha para preservar a "primeira vez", o "primeiro Mar".

Eliseu, já temos mais modelos?

quarta-feira, 7 de julho de 2010

O "Mar" da "Canoa da Picada"

A "Canoa da Picada" da fotografia (Modelo do Museu da Marinha) era uma embarcação sardinheira, ou seja uma das embarcações que iam buscar a sardinha aos barcos que a pescavam e que permaneciam na zona de pesca durante grandes temporadas, para depois a transportar para os cais dos mercados em Lisboa. Com proa muito esguia e cortante era uma embarcação tão rápida que acabou por ser adoptada pela aristocracia como embarcação de recreio e de regata, passando a chamar-se, de forma aportuguesada, "Coqueta".









http://cursos-modelismo-ecomuseu-canoa.blogspot.com/2008/12/canoa-da-picada.html

Em 1987 realizei uma miniatura da "Canoa da Picada" e, apesar de ter sido o meu primeiro modelo com o casco montado no interior da garrafa, a grande dificuldade com que me deparei foi a de conseguir a ilusão de que o barco estava centrado. Consegui-o realizando um apoio com a forma dinâmica de uma onda. 







sexta-feira, 2 de julho de 2010

As "Velas Latinas" do Nilo


 As embarcações do rio Nilo no Egipto são outras das que me inspiram, com as suas longas velas latinas e os seus cascos largos e muito pouco profundos. Nos vídeos que se seguem pode ver-se um extraordinário filme sobre elas.

 É um filme que não se fica pela beleza  destes veleiros, pois também nos fala dos seus marinheiros e do seu trabalho árduo e pouco gratificante.



Parte 1


Parte 2