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O NOSSO PROPÓSITO

O Capitão Haddock da banda desenhada do Tintin é uma boa caricatura de como se atribui a relação entre o mar e as garrafas ao alcoolismo dos marinheiros. No entanto a relação que mais nos interessa é a de que os marinheiros tinham com as garrafas já vazias. Tal como com o álcool, a atenção requerida pela introdução de modelos de veleiros no interior de garrafas -pelos seus gargalos- fazia-os evadirem-se da sua dura realidade. Ao contrário das fantasias de Baco o resultado desta outra relação era uma fantasia perdurável com um significado quase bíblico, o do buraco da agulha e do camelo.

O Mar das Garrafas será um espaço de divulgação de uma arte que, mais do que uma evasão, constitui um meio de trabalhar a persistência. Aqui apresentarei trabalhos já realizados, outros a realizar, trabalhos de outros, os resultados da minha pesquisa contínua sobre a história e as mútiplas envolvências desta arte, especialmente a das embarcações tradicionais.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

O Cutty Sark renasce


Após muitas adversidades, o Cutty Sark, um dos barcos mais famosos do mundo, que durante 27 anos navegou sob bandeira portuguesa, é hoje (25 de Abril de 2012) visitado pela rainha Isabel II e reabre ao público na quinta-feira.

O navio resistiu ao castigo das ondas que enfrentou desde que foi lançado, em 1869 na Escócia, à deterioração causada ao longo de 143 anos e até a um incêndio em 2007, durante os trabalhos de restauro.

Fez a rota do chá entre 1870 e 1878, transportou lã australiana entre 1883 e 1895 e durante 27 anos, até 1922, navegou entre Portugal, Angola, Moçambique, Brasil, EUA e Reino Unido. 

Adquirido em 1895 por uma companhia, a J. Ferreira e Cª, transportou vários tipos de mercadorias entre a metrópole e as então colónias africanas, mas em 1916 sofreu estragos provocados pelo mau tempo. 

Contudo, a perseverança de um capitão aposentado, Wilfred Dowman, permitiu que voltasse a mãos britânicas para ser restaurado e aberto ao público, tendo sido mais tarde usado para formação de marinheiros. 
 

 Doado pela viúva de Dowman, foi finalmente colocado numa doca seca em Greenwich, no sudeste de Londres, e desde a abertura ao público em 1957 já foi visitado por mais de 15 milhões de pessoas. 

Para o diretor da Fundação Cutty Sark, Richard Doughty, esta biografia torna o navio "um viajante, um sobrevivente" mas, enfatiza, "acima de tudo, é um belo veleiro". 

"Qualquer pessoa que olhe agora não pode deixar de se impressionar: tem este casco esguio fantástico, estes mastros altos, um desenho de vanguarda", realçou, em declarações à agência Lusa. 

  
Durante o tempo de serviço ao transporte do chá tornou-se lendário devido às velocidades que atingia, recorda o responsável, e mesmo sob a bandeira portuguesa visitou muitos dos principais portos mundiais. 

Nessa altura, afirmou, transportava desde carvão a cerveja, pianos, dentes de tubarão e metais. 

Agora, o Cutty Sark é uma atração turística, preservado como testemunho dos dias gloriosos do transporte de mercadorias em barcos à vela e também como homenagem àqueles que morreram na marinha mercante. 

Hoje recebe a visita da rainha Isabel II e do marido, Filipe, patrono do monumento, para a reabertura oficial, 55 anos depois de terem feito a primeira inauguração. 

A novidade está na estrutura de vidro em torno do casco que aumentou a área de visita, enquanto no interior foi melhorada a experiência com uma exposição multimédia e a exibição de objetos relacionados com a sua história. 

Segundo Richard Doughty, o Cutty Sark foi construído para durar 25 anos mas resistiu muitos mais ao serviço de diferentes donos. 

"Essa combinação [de resistência] com a beleza do navio", justifica, "faz com que seja um dos mais famosos do mundo". 





(Texto retirado do D. N. Globo:  http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=2440371&seccao=Europa&page=-1)
(Fotografias de:  http://i11.tinypic.com/2wd0obm.jpg , de http://www.oldukphotos.com/graphics/England%20Photos/Cornwall,%20Falmouth,%20The%20Cutty%20Sark.jpg e de http://www.nauta.bydgoszcz.com/foto/galeria/gotowe/04.jpg

1 comentário:

Luís Sérgio disse...

Mais uma excelente "obra".
Obrigado pela partilha.
Abraço,
Luís Sérgio