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O NOSSO PROPÓSITO

O Capitão Haddock da banda desenhada do Tintin é uma boa caricatura de como se atribui a relação entre o mar e as garrafas ao alcoolismo dos marinheiros. No entanto a relação que mais nos interessa é a de que os marinheiros tinham com as garrafas já vazias. Tal como com o álcool, a atenção requerida pela introdução de modelos de veleiros no interior de garrafas -pelos seus gargalos- fazia-os evadirem-se da sua dura realidade. Ao contrário das fantasias de Baco o resultado desta outra relação era uma fantasia perdurável com um significado quase bíblico, o do buraco da agulha e do camelo.

O Mar das Garrafas será um espaço de divulgação de uma arte que, mais do que uma evasão, constitui um meio de trabalhar a persistência. Aqui apresentarei trabalhos já realizados, outros a realizar, trabalhos de outros, os resultados da minha pesquisa contínua sobre a história e as mútiplas envolvências desta arte, especialmente a das embarcações tradicionais.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

O meu último "Mar" e a inauguração da minha gallery shop


Neste post falo-vos da miniatura que acabei hoje, cerca de 12 anos após ter realizado a anterior. Trata-se de uma das mais belas embarcações que conheço, a canoa baleeira das ilhas dos Açores. É uma embarcação que apesar de parecer muito simples é extremamente complexa, pois, para se ter uma ideia, não usa calafetagem nas junções do tabuado, de modo a que a sua estrutura seja mais rígida. Apenas com o conhecimento destes pormenores podemos perceber como esta "casquinha de noz" era o veículo para a caça do cachalote no arquipélago dos Açores. 



  Derivada das canoas transportadas pelos grandes veleiros baleeiros americanos do Séc. XIX, a canoa açoreana é mais comprida, levando mais dois tripulantes -sete no total- uma vez que partia das ilhas, inicialmente sem qualquer embarcação de apoio.

Hoje, apesar de nos repugnar a caça a tão belas espécimes, não devemos, contudo, deixar de ter em conta que esta baleação era artesanal, não pondo a espécie em perigo e sendo um meio de sustento fulcral para os caçadores das ilhas, especialmente no grupo central.


 Embora a caça ao cachalote tenha terminado em 1984, as canoas baleeiras açoreanas foram mantidas e hoje são velozes barcos de regata - a sua velocidade era um atributo fundamental para a caça!




Seguidamente podem ver um vídeo sobre a construção deste "Mar baleeiro"e um outro realizado por mim há muitos anos, em 1994, sobre uma regata destas belíssimas embarcações:












Inauguro hoje também a minha Gallery Shop onde ponho à disposição de quem a queira esta peça única. Visitem-na clicando na imagem que se encontra permanentemente após a rúbrica permanente "o nosso propósito" deste blog e apreciem o álbum deste meu último trabalho.



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