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O NOSSO PROPÓSITO

O Capitão Haddock da banda desenhada do Tintin é uma boa caricatura de como se atribui a relação entre o mar e as garrafas ao alcoolismo dos marinheiros. No entanto a relação que mais nos interessa é a de que os marinheiros tinham com as garrafas já vazias. Tal como com o álcool, a atenção requerida pela introdução de modelos de veleiros no interior de garrafas -pelos seus gargalos- fazia-os evadirem-se da sua dura realidade. Ao contrário das fantasias de Baco o resultado desta outra relação era uma fantasia perdurável com um significado quase bíblico, o do buraco da agulha e do camelo.

O Mar das Garrafas será um espaço de divulgação de uma arte que, mais do que uma evasão, constitui um meio de trabalhar a persistência. Aqui apresentarei trabalhos já realizados, outros a realizar, trabalhos de outros, os resultados da minha pesquisa contínua sobre a história e as mútiplas envolvências desta arte, especialmente a das embarcações tradicionais.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Os "MARES" do POETA, PABLO NERUDA - ODA AL BUQUE EN LA BOTELLA / ODE AU NAVIRE DANS LA BOUTEILLE



Matilde e Pablo Neruda (Clique para ver o perfil do poeta)



 



ODA AL BUQUE  EN LA BOTELLA


Nunca navegó
nadie
como en tu barco:
el día
transparente
no tuvo
embarcación ninguma
como
esse mínimo
pétalo
de vidrio
que aprisionó
tu forma
de rocío,
botella,
en cuyo
viento
va el velero,
botella,
si,
o viviente
travesía,
esencia
del trayecto,
cápsula
del amor sobre las oslas,
obra
de las sirenas!


Yo sé que
en tu garganta
delicata
entraron
pequenitos
carpinteros
que volaban
en una abeja, mosca que traían
en su lomo
herramientas,
clavos, tablas,
cordeles
diminutos,
y así en una botella
el perfecto navío
fue creciendo:
el casco fue la nuez de su hermosura,
como alfileres elevó sus palos.


Entonces
A
sus
pe-
que-
ni-
sismas
islas
refresó el astillero
y para navegar
en la botella
entró
cantando
la minúscula, azul
marinería.



Así, botella,
Adentro de tu
Mar, de tu cielo,
Se levantó
un navio
pequeño, si,
minúsculo
para el inmenso mar que lo esperaba:




 la verdad
es que nadie
lo construyó
y no navegará sino en los sueños.






ODE AU NAVIRE DANS LA BOUTEILLE
  
Jamais
personne n’a navigué
comme sur ton bateau :
le jour
transparent
n’a jamais eu
d’embarcation
pareille
ce minime pétale
de verre
qui emprisonna
tes formes
de rosée,
bouteille,
au vent
de qui
va le voilier,
bouteille,
oui,
ou vivante
traversée,
essence
du trajet,
capsule
de l’amour sur les vagues,
oeuvre
des sirènes!





 Je sais que
dans ta gorge
délicate
sont entrés
de tout petits
charpentiers
volant
sur une abeille, des mouches portant
sur leur dos
des outillages,
des clous, planches,
cordages
minuscules,
et ainsi dans une bouteille
le navire parfait
a grandi :
la coque fut noyau de sa beauté,
dressant ses mâts fins comme épingles.





Alors
à
ses
tou-
tes
pe-
tites
îles
retourna tout le chantier
et pour naviguer
entra
dans la bouteille
en chantant,
minuscule et bleu,
l’équipage.




Ainsi, bouteille,
au milieu
de ta
mer, de ton ciel,
s’est dressé
un navire,
petit,
oui,
minuscule
pour cette immense mer qui l’attendait :



la vérité
est que personne
ne l’a construit
et qu’il ne voguera jamais que dans les songes.









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