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O NOSSO PROPÓSITO

O Capitão Haddock da banda desenhada do Tintin é uma boa caricatura de como se atribui a relação entre o mar e as garrafas ao alcoolismo dos marinheiros. No entanto a relação que mais nos interessa é a de que os marinheiros tinham com as garrafas já vazias. Tal como com o álcool, a atenção requerida pela introdução de modelos de veleiros no interior de garrafas -pelos seus gargalos- fazia-os evadirem-se da sua dura realidade. Ao contrário das fantasias de Baco o resultado desta outra relação era uma fantasia perdurável com um significado quase bíblico, o do buraco da agulha e do camelo.

O Mar das Garrafas será um espaço de divulgação de uma arte que, mais do que uma evasão, constitui um meio de trabalhar a persistência. Aqui apresentarei trabalhos já realizados, outros a realizar, trabalhos de outros, os resultados da minha pesquisa contínua sobre a história e as mútiplas envolvências desta arte, especialmente a das embarcações tradicionais.

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quinta-feira, 15 de abril de 2010

O "Mar" das Falkušas

No vídeo que se segue podemos ver Falkušas, barcos tradicionais de pesca à sardinha da pequena cidade de Komiza, Ilha de Vis na Croácia. Uma réplica destas embarcações é usada como embarcação de apoio a passeios de caiaque em torno das ilhas de Vis e Hvar. 

terça-feira, 13 de abril de 2010

Os "sintels" das barcaças do Lago Peipsi

O Zé Manel, meu colega e amigo, com quem tenho a afinidade do gosto pelos barcos, enviou um comentário a propósito da Barcaça do Lago Peipsi. Depois de o ter publicado, creio que vale a pena criar um novo post para ilustrar esse comentário.

Diz o Zé: "-Achei interessantíssimo o filme sobre as barcas eslavas do lago peipsi. Realço sobretudo um detalhe curioso. Tal como as primeiras cogas hanseáticas do séc XIV, elas possuem finas réguas a tapar a junção das tábuas do costado. Tal como nas cogas, essas réguas estão seguras por uma espécie de agrafos (perdoem o termo) chamados "sintels" que aqui conservam a forma exacta dos que eram mais usados nas cogas. 

 Coga Anseática, Séc. XIV (clique na foto para a ampliar)
 

Barcaça do Lago Peipsi, Séc. XX

Há portanto a permanência desta solução construtiva até quase aos nossos dias, o que é um facto assinalável." Zé Manel Faria

domingo, 11 de abril de 2010

A Barcaça do Lago Peipsi na Estónia / Peipsi sailing barge on old footage

As barcaças à vela do Lago Peipsi na Estónia aparecem, primeiro, num filme bastante antigo e, depois, num filme sobre uma réplica recente. Estas barcaças remontam ao Século XIV e a amplitude do seu bojo será um desafio para o miniaturista dos nossos "Mares"!



quinta-feira, 8 de abril de 2010

Os "Mares" de cortiça

Porque a cortiça também faz parte integrante dos nossos "Mares", nem que seja nas rolhas...


Há "Mares" totalmente feitos de cortiça, como o da fotografia. Trata-se de uma representação da caça ao cachalote com uma canoa baleeira realizada no Arquipélago dos Açores. Este era um dos poucos "Mares" que se via à venda no centro de Lisboa, creio que feito por alguém da margem sul do Tejo:

domingo, 4 de abril de 2010

O "Mar" da Madalena

A Madalena fez hoje um ano, mas apenas lhe pude dar o casco da "Canoa da Picada". Não a acabei porque estou emperrado por doze anos de inactividade como miniaturista. Além disso tenho de desistir da ideia de a colocar num balão, por sobre o gargalo, pois está demasiado grande.

Fica uma fotografia  da Madalena com o casco na mão...


...e outra onde se verifica a impossibilidade do projecto do barco sobre o gargalo de um balão, devido ao tamanho do casco.


terça-feira, 30 de março de 2010

O primeiro "Mar" da minha neta

A Madalena, minha primeira neta, vai fazer o seu primeiro aniversário no domingo, 4 de Abril. 

 
Como estou a fazer-lhe o seu primeiro "Mar" não voltarei a colocar qualquer post até o ter acabado. Vou fazer-lhe uma "Canoa da Picada", uma "coquette", -como as da foto que se segue- por sobre o gargalo de um pequeno balão de ensaio.


Será a segunda que realizo. A primeira foi feita ainda nos anos oitenta do século passado e o próprio casco foi  construído no interior da garrafa. Falarei dela em pormenor mais tarde.



Contudo, adianto já que o nome "picada" vem da Sardinha "salpicada" -picada de sal- que esta embarcação rápida -canoa- ia buscar às "Muletas", que a pescava no mar diante da Cascais, para a levar rapidamente para Lisboa.

quinta-feira, 11 de março de 2010

O Mar do Caíque "Bom Sucesso"

Encontrei este vídeo do Caíque "Bom Sucesso II", já aqui referido.  Embora não se veja a sua navegação com o pano das velas e esteja a chegar a um porto, não deixa de revelar ser uma bela embarcação. Como se pode ver, comparando o tamanho e a quantidade dos passageiros, ainda é uma embarcação de algum tamanho. Creio que este filme retrata o episódio da chegada de uma das muitas viagens que esta embarcação realiza com turistas em Olhão no Algarve, Portugal.

           

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

O Mar dos quatro jangadeiros do Ceará

"(cerca de setenta anos), quatro pescadores brasileiros lançaram-se ao mar para uma viagem que entrou para a história dos jangadeiros cearenses, da navegação, do Estado Novo e do cinema. Tão arriscada foi ela, que até na imprensa americana ganhou espaço nobre. Num artigo intitulado Four Men on a Raft (Quatro Homens numa Jangada), a revista Time (8/12/1941) reproduziu toda a odisséia de Manoel Olímpio Meira (Jacaré), Raimundo Correia Lima (Tatá), Manuel Pereira da Silva (Mané Preto) e Jerônimo André de Souza (Mestre Jerônimo), que a bordo de uma jangada singraram os 2.381 km que separam Fortaleza do Rio de Janeiro, sem bússola ou carta náutica. Algo parecido ocorrera em 1923, quando quatro jangadas, sob o comando de Mestre Filó, viajaram do Rio Grande Norte até o Rio de Janeiro, para reanimar os festejos do Centenário da Independência. Os jangadeiros potiguares foram brindados, na época, com um poema de Catulo da Paixão Cearense, mas seu feito não chegou à imprensa estrangeira nem virou filme.



Jacaré, Tatá, Mané Preto e Mestre Jerônimo partiram da antiga Praia do Peixe (hoje, Iracema), em 14 de setembro de 1941, e chegaram ao seu destino dois meses depois. Não participavam (num) rali ou (num) enduro patrioteiro, mas (num) reide com finalidade política. Os jangadeiros queriam chamar a atenção do País e do governo para o estado de abandono em que viviam os 35 mil pescadores do Ceará. Morando em toscas palhoças, nem do Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Marítimos eles recebiam ajuda. O presidente da República precisava saber daquilo. Ficou sabendo".
 A viagem de 3.000 Km foi narrada no documentário “It´s All True” (É Tudo Verdade), realizado por Orson Welles.

 

Para saber mais sobre este assunto visite o Sítio        http://jangadanantes.free.fr/4homjang_br.htm que transcreve o artigo do jornal "Estadão" de 15 de Setembro de 2001 que, por sua vez, transcreve excertos do livro  Orson Welles no Ceará, de Firmino Holanda (Edições Demócrito Rocha). Foi daí que retirámos o texto deste post.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

O Mar de Maputo

No estuário do rio Incomáti em Maputo, Moçambique, navegam belíssimas embarcações rústicas com vela latina de tradição portuguesa. Segundo Armando Reis Moura, na sua monografia, Barcos do Litoral de Moçambique,de 1973, estas Lanchas de Maputo são de tradição portuguesa. Aparelham as suas velas latinas embolsando-as por dentro da enxárcia, enquanto as de tradição oriental -que existem noutros pontos de Moçambique- embolsam-nas por fora.


No Cacimbo de 2008 estive em Maputo pela primeira vez e, olhando a foz do Incomáti a partir do hotel Polana, avistei uma latina ao longe, era uma das lanchas referidas por Moura. Assim que pude fui à Costa do Sol, vê-las e filmá-las de perto. O vídeo e o  slideshow na barra lateral deste blogue contêm algumas das imagens que colhi.


Tal como nos batik, tão característicos de Maputo, estas Lanchas de bastardo navegarão no meu próximo Mar de Garrafa!

Dedico este Post ao Pedro Cadete, velho amigo desde os tempos de infância quando apenas tínhamos os barcos do Luachimo como...  inspiração.