sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Celebre as Jornadas Europeias de Património com o Ecomuseu Municipal do Seixal
No Núcleo Naval de Arrentela (Seixal), dia 25 de Setembro, às 18.00 horas, participe na apresentação pública do livro A Muleta (Muleta é o nome da embarcação na garrafa do cabeçalho deste blog), uma edição conjunta com o Museu de Marinha, da autoria de Manuel Leitão, Ferdinando Oliveira Simões e António Marques da Silva (estes senhores são três grandes expoentes da arquitectura e modelismo naval tradicional português). A sessão constitui simultaneamente uma forma de assinalarmos localmente o Dia Mundial do Mar .
O livro A Muleta constitui um significativo contributo para a documentação, o estudo descritivo e a caracterização dos aspectos construtivos estruturais de uma embarcação que possui um enorme valor simbólico para as comunidades ribeirinhas do estuário do Tejo.
Não são miniaturas para garrafas, mas deve visitar-se com urgência, é muito inspirador!
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Modelismo
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
A garrafa ex-voto de Buarcos
Um ex-voto é uma representação de algo que se considera ter sido alvo de um milagre salvador. O seu intuito é o do agradecimento à divindade pela graça recebida sendo colocado em capelas e igrejas. A forma do seu registo pode ser muito diversa, pintura, escultura, fotografia, etc. e em Portugal abundam motivos relacionados com a doença, a guerra -sobretudo a colonial- e também com os naufrágios.
De facto a vida do mar foi (e ainda é) muito propensa à produção de ex-votos e a exposição realizada no Museu da Marinha de Maio a Setembro de 1983, intitulada "Primeira Exposição Nacional de Painéis Votivos do rio, do Mar e do Além-Mar", apresentou uma grande série de paineis pictóricos com embarcações sujeitas a situações de desastre, mas que, terão sido salvas por milagres.
Interrogando-me se uma embarcação no interior de uma garrafa não poderia ser também um registo votivo, acabei por ter uma resposta afirmativa através de uma série de visitas a capelas marítimas. Na Capela da N.ª Sr.ª da Encarnação em Buarcos, Portugal, o meu olhar descortinou quase imediatamente uma garrafa com um veleiro, provando que este tipo de arte também tinha um carácter votivo. Afinal que melhor modo de agradecer um milagre salvífico do que através daquilo que aos olhos dos outros é também uma forma de realizar o impossível?
Como se pode ver no filme é uma garrafa muito invulgar porque o veleiro surge solto no interior da garrafa sem qualquer suporte e com as obras vivas (a parte do casco que fica submersa). O grau de dificuldade deste tipo de trabalho é bastante superior porque a acção sobre a miniatura pode movê-la, impedindo a eficácia do contacto das duas partes da embarcação (obras mortas e obras vivas) e a elevação dos mastros.
A datação aproximada da embarcação é realizada pela bandeira -Monárquica Constitucional- e pelo tipo de casco, típico da segunda metade do séc. XIX e princípio do Séc. XX e, assim, pode dizer-se que é uma peça centenária uma vez que a República fará 100 anos em Outubro de 2010.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
O Beagle de Charles Darwin
O Beagle foi a embarcação em que Charles Darwin realizou a viagem que o levaria à "Origem das Espécies". Construi-o para o oferecer ao meu pai, Ed. Luna de Carvalho, biólogo e entomólogo. Foi a minha última realização (1999), o casco é oco, tem cavername e está à escala 1/192.
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HMS Beagle
sábado, 12 de setembro de 2009
Um hiate numa garrafa de Gordon's
O primeiro trabalho que aqui exponho foi realizado por volta de 1997 numa garrafa de Gordon e apresenta duas embarcações tradicionais portuguesas. A que está em primeiro plano é um Hiate de Setúbal, embarcação que após a sua extinção por volta dos anos 70 renasceu em 94. É um trabalho de uma fase em que ainda não considerava que a simples presença de um veleiro no interior do vidro de uma garrafa a enchia de mar.
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sexta-feira, 11 de setembro de 2009
O Hiate de Setúbal
O Hiate de Setúbal ou Hiate Português, é datado do século XVII, mas foi na segunda metade do Séc XIX, que se estereotipou esta forma de "hiate", facilmente identificável pelos seus dois mastros, o da frente (traquete) quase vertical, implantado muito avante, e o de trás (grande), a meio navio, inclinado 15 graus à ré. O gurupés, muito curto, era quase horizontal. As velas eram duas de carangueja e um estai. O casco era único, com as suas formas arcaicas de proa e de beque esculpido.
O Último exemplar do Hiate de Setubal, o "Estefânia", navegou até cerca de 1970 e hoje já nem se conseguem identificar alguns restos apodrecidos da mais típica embarcação do Sado. Com a intenção de dar às gerações futuras sabedoria e experiência, o Clube Naval Setubalense, com o apoio da Câmara Municipal de Setúbal, de algumas empresas e pessoas, entre elas o Engenheiro Henrique Cabeçadas, quiseram, em 1986, proceder à reconstrução de um Hiate de nome Santo António, cujo o casco estava enterrado, na costa do Sado, apodrecendo na lama. As dificuldade foram muitas, e como o casco não se encontrava em condições de uma recuperação, decidiu-se construir um Hiate de raiz .
Assim em Maio de 1993 o Mestre Jaime acompanhado por muitos homens, dispostos a trazer de volta um exemplar das mais belas navegações sadinas, levaram até ao estaleiro de Sarilhos Pequenos mais de 100 toneladas de madeira vinda de muitos cantos do país.
As suas dimensões eram as características:
• Boca (largura máxima): 4,3 a 5,2 metros
• Pontal (altura do casco): 1,5 a 1,7 metros
A tarefa referida, difícil e dispendiosa, teve mesmo no final um pequeno grande precalço: ao colocar o mastro da frente, a madeira deste cedeu, devido a uma doença da madeira; não impedindo que se cumprisse a tradição de colocar debaixo do mastro principal 2 moedas com a data de construção do navio.
Foi a 9 de Julho de 1994, que o Mestre José Henriques de 94 anos,viu lançar ao mar, um Hiate igual aos de onde brincava em criança.
Adaptado de:
http://www.ensetubalense.com/seccao.php?op=hiatesetubal&mod=historia (acedido a 04.2008)
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