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O NOSSO PROPÓSITO

O Capitão Haddock da banda desenhada do Tintin é uma boa caricatura de como se atribui a relação entre o mar e as garrafas ao alcoolismo dos marinheiros. No entanto a relação que mais nos interessa é a de que os marinheiros tinham com as garrafas já vazias. Tal como com o álcool, a atenção requerida pela introdução de modelos de veleiros no interior de garrafas -pelos seus gargalos- fazia-os evadirem-se da sua dura realidade. Ao contrário das fantasias de Baco o resultado desta outra relação era uma fantasia perdurável com um significado quase bíblico, o do buraco da agulha e do camelo.

O Mar das Garrafas será um espaço de divulgação de uma arte que, mais do que uma evasão, constitui um meio de trabalhar a persistência. Aqui apresentarei trabalhos já realizados, outros a realizar, trabalhos de outros, os resultados da minha pesquisa contínua sobre a história e as mútiplas envolvências desta arte, especialmente a das embarcações tradicionais.

domingo, 29 de novembro de 2009

Novos ventos para o mar das garrafas?

   Tal como no Surf onde já se utilizam papagaios em vez de velas,  na construção naval também se retoma o vento por essa via, levando a que o mar das garrafas o tenha que  ter em conta.  O MS Beluga SkySails é o primeiro navio de carga do mundo que dispõe de um novo sistema de propulsão pela acção do vento. Esta é uma solução sustentável para a redução do consumo de combustível, custos e emissões. Dependendo das condições do vento, os custos de combustível podem ser reduzidos entre 10 a 35 %.


sexta-feira, 27 de novembro de 2009

O lado negro da Dama Branca / The Dark Side of the White Lady


Visitei o Esmeralda na EXPO 98 em Lisboa. Durante a visita a uma embarcação tão bela ocorreu-me, no entanto, a inquietação de saber que a "Dama Branca" tinha sido usada como uma das prisões políticas de Pinochet. Outro dia lembrei-me desses momentos ao encontrar o trailer do documentário "The Dark Side of the White Lady" de Patrício Henriquez, realizado em 2006.




quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Mulher a bordo / Women on board

Eis mais um filme de animação a tocar no grande dilema destes marinheiros das garrafas. Segundo o resumo do seu argumento, há um enorme obstáculo entre a grande paixão da personagem -fazer barcos em garrafas na cave de sua casa- e a família -a sua esposa agressiva. Ela está sempre a perturbá-lo e, por isso, ele nunca termina um único barco. O ninho conjugal torna-se o cenário de uma batalha cruel cujo resultado revela os muitos e bizarros rostos do amor.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

The sea of my friend Alan Rogers


Hoje é um dia especial para o meu amigo Alan Rogers.


Alan and his wife, Julie


     Alan, me and another friend, Rick, at Sarilhos Pequenos, Moita, Portugal


Dedico-lhe este post mostrando uma bela prenda que ele fez e me ofereceu. Trata-se de um Galway Hooker dentro de uma garrafa.







 
Alan é um excelente miniaturista e é o editor da revista Bottle Ship da European Association of Ships in Bottles. Da última vez que nos encontrámos em Portugal mostrou-me a embarcação egípcia que estava a fazer e que agora já está pronta. É uma beleza!



















Feliz aniversário, Alan!!!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

HMS Beagle

   Navegando pelo You Tube cruzámo-nos muitas vezes com o HMS Bealge de Charles Darwin e foi impossível resistir a apresentar três  pequenos filmes em 3D.

   O primeiro filme em 3 dimensões mostra o aspecto geral do HMS BEAGLE, em que Darwin realizou a viagem em redor do Mundo entre 1831 e 1836. Neste barco ele efectuou a maioria das suas pesquisas experimentais antes de desenvolver a teoria que o tornaria famoso.



   O segundo filme leva-nos a percorrer o interior do Beagle num modelo de 3 dimensões para a Natural Selection Library.




   O terceiro vídeo 3D conduz-nos aos aposentos de Darwin no HMS Beagle, assim como à memória de um pequeno passeio à sua casa em  Down, Kent, Inglaterra.



quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O mar do Beagle

    Há algum tempo publiquei um post sobre um modelo do "Beagle" nome do veleiro em que Charles Darwin navegou para a descoberta da origem das espécies.


   Esse modelo  não foi o único modelo do "Beagle" que realizei, pois antes tinha feito um outro sem as obras vivas, também à escala 1/190.
   A primeira fotografia que se segue mostra a roda do leme com as suas 18 malaguetas, a segunda mostra o "mar" acabado e o filme,  realizado em formato VHS pelo Nuno Miranda, mostra a sua introdução num frasco de boticário. Este "Mar do Beagle" também foi oferecido a um distinto biólogo, meu padrinho laico, António de Barros Machado.







segunda-feira, 16 de novembro de 2009

O Mar de Gionni Biondi (a garrafa de Lübeck - 1784)

Em 1992 depois de termos "redescoberto" nos reservados do Museu da Marinha em Lisboa o "mar" de Biondo datado de 1792 (post anterior), pensámos estar perante a peça mais antiga conhecida. Por via das nossas navegações na Internet, pudemos, no entanto, saber que existe um outro, oito anos mais antigo, datado de 1784 e localizado no Museu Holstentor de Arte e Cultura Popular de Lübeck na Alemanha.




Apesar da distância que os separa, estes dois "mares" apresentam, contudo, uma relação profunda. A inscrição:

"Gionni Biondi fecit 1784" ,

revela-nos que foram realizados pelo mesmo artista, pois Gionni coincide com o nome de Giovanni e Biondi com o de Biondo do "mar" de Lisboa.






O "mar" de Lisboa apesar de menos antigo é mais completo em indicações. É por ele que se pode saber que Gionni Biondi se chamava realmente Giovanni Biondo, era "Capitano". (Com grande probabilidade da marinha de guerra) e era natural de Veneza.

O "mar" de Lisboa é constituído por um vaso de linha veneziano (com o leão alado da bandeira e da carranca na proa a atestá-lo) e o de Lübeck, apesar de não apresentar identificação é, segundo alguns investigadores, constituído por uma embarcação turca ou portuguesa. Sem uma análise detalhada do modelo de Lübeck não saberemos dizer qual a nacionalidade da embarcação. Teria sido portuguesa? A segunda metade do século XVIII foi fértil na constituição de armadas mistas com participação portuguesa e veneziana na luta contra os piratas da Barbária, mas... 



A técnica artística confirma a mesma autoria dos dois "mares",  em ambas as peças os modelos estão sobre a abertura do gargalo, demonstrando o mesmo estilo e, sobretudo o domínio de uma técnica arrojadíssima e muitíssimo invulgar. Ao contrário da técnica mais moderna  (muito mercantilista) em que as embarcações são totalmente montadas no exterior, introduzidas com os mastros deitados e articulados por um eixo na sua base através de cabos que saem pelo gargalo, as embarcações de Biondo foram montados no interior do recipiente. Os mastros não possuem eixos na sua base, tendo que ser montados com ajuda de estiletes. 


Se algum dia estiveram juntos, creio que esta é a primeira vez que estes "mares" assinados pela mesma mão se reencontram após duzentos anos!


Agradecemos a Peter Huber o primeiro contacto com o mar de Lübeck no seu sítio: http://www.mineral.at/

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O Mar de Giovanni Biondo (a garrafa de Lisboa- 1792)

   Nos anos noventa, creio que em 1992, passei muito tempo no Museu da Marinha em Lisboa, Portugal. 




  Acompanhado de dois saudosos amigos que aí trabalhavam, Mestre Luís Marques e Comandante  Raul de Sousa Machado, fiz um dia uma descoberta espantosa nos "Reservados" do Museu . Encontrava-se aí uma magnífica garrafa com uma fragata de guerra no seu interior, sobre o gargalo. Num manuscrito na base da fragata, cujo nome  inscrito no painel de popa era "FAMA", estava escrito:

"Giovanni Biondo Veneto Capitano fecce anno 1792",

ou seja "Giovanni Biondo, Capitão de Veneza, o fez no ano de 1792". Duzentos anos depois de feito, era sem sombra de dúvida o "mar" mais antigo de que tinha conhecimento. Além disso contrariava a ideia muito comum de que esta arte tinha começado no Séc. XIX e que era realizada por simples marinheiros. Este "mar" datava do Século XVIII e tinha sido realizada por um Capitão de Veneza chamado Giovanni Biondo.
  Na altura não sabia que era apenas o segundo mar das garrafas mais antigo, falaremos disso...


quarta-feira, 11 de novembro de 2009

O mar das garrafas do Amarillo College Natural History Museum

Desta vez trago-vos a Galeria  de barcos em garrafas do Amarillo College Natural History Museum, Texas, Estados Unidos da América.


segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O mar dos faroleiros

  Muito do mar das garrafas foi criado por faroleiros, aliando a sua solidão à beleza do seu mar.  

  O filme que se apresenta é de Jean René Keruzoé e mostra o tempestuoso mar dos faroleiros na Bretanha, em França.



quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O mar do Horn

   Apresento aqui um post muito especial com imagens que reportam à época dourada do mar das garrafas, quando os clipper ainda sulcavam os oceanos.
  A fotografia é retirada do blogue das Éditions MDV Maîtres du Vent. Representa a fiel companhia do marinheiro destas embarcações: o barco em garrafa.
  O filme é do jornalista australiano Alan Villiers que também se interessou pela "faina maior" (pesca do Bacalhau) realizada nos lugres portugueses. Mostra a travessia do Cabo Horn, uma das zonas mais temidas pelos marinheiros!



 The Cape Horn Road 
   


...

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Cruise Ship In Bottle

  Encontrei  esta variante norueguesa da realização de barcos em garrafas em  "Project in Stokmarknes, Vesterålen". Vale a pena vê-la!



terça-feira, 3 de novembro de 2009

A Fragata Blackwall do Joaquim

  O Joaquim foi o amigo com quem partilhei o primeiro ano de estadia na ilha onde descobri o mar das garrafas. Alguns anos depois ofereci-lhe uma garrafa com um dos meus primeiros modelos onde já se vê alguma preocupação com o detalhe, nomeadamente nos mastros.
  A garrafa que ofereci ao Joaquim teve, porém, uma história interessante. Numa primeira tentativa de erguer os mastros parti um dos cabos e só restava uma de duas soluções: ou partia a garrafa e salvava o barco (que tinha levado alguns meses a realizar) ou destruía o barco para salvar a garrafa. A segunda opção foi a escolhida porque era impensável partir uma bela e muito antiga garrafa de boticário e, assim, tive que realizar um segundo modelo. Uma coisa é certa, não precisei de voltar a fazer o suporte para a garrafa e nenhum foi tão belo como aquele!