Translator / Traducteur / Übersetzer / översättaren / переводчик / 翻訳者

O NOSSO PROPÓSITO

O Capitão Haddock da banda desenhada do Tintin é uma boa caricatura de como se atribui a relação entre o mar e as garrafas ao alcoolismo dos marinheiros. No entanto a relação que mais nos interessa é a de que os marinheiros tinham com as garrafas já vazias. Tal como com o álcool, a atenção requerida pela introdução de modelos de veleiros no interior de garrafas -pelos seus gargalos- fazia-os evadirem-se da sua dura realidade. Ao contrário das fantasias de Baco o resultado desta outra relação era uma fantasia perdurável com um significado quase bíblico, o do buraco da agulha e do camelo.

O Mar das Garrafas será um espaço de divulgação de uma arte que, mais do que uma evasão, constitui um meio de trabalhar a persistência. Aqui apresentarei trabalhos já realizados, outros a realizar, trabalhos de outros, os resultados da minha pesquisa contínua sobre a história e as mútiplas envolvências desta arte, especialmente a das embarcações tradicionais.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

O Mar dos GIF

 Tive alguns dias livres e pensei em voltar a trabalhar num modelo de uma canoa baleeira que aguarda o seu mar de garrafa à cerca de onze anos. 


 Como não pude dispor de todo o material não consegui realizar o meu intento e fiz o GIF animado que se segue. 



 É um outro mar, cibernético!!! ...Se calhar estou é com medo de enfrentar o facto de, passados onze anos, já usar óculos!

FELIZ ANO NOVO !!! 

P.S.
Quando clicarem em cima das palavras a azul para saberem o que é um GIF animado não deixem de ler o texto do fundador da Wikipedia. A Wikipedia é o maior mar de conhecimento para contribuição e consulta não comercial que existe!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

O Mar do Natal






Boas Festas ! 

Joyeux Noël ! 

 Merry Christmas ! 

Frohe Weihnachten !






sábado, 19 de dezembro de 2009

O Mar do Gazela Primeiro


    O Gazela Primeiro, príncipe da  frota bacalhoeira portuguesa entre 1901 e 1961 nas campanhas de pesca  na Terra Nova e na Gronelândia, foi uma das miniaturas que realizei com muito prazer. A garrafa  de corpo com perfil oval pareceu-me muito adequada ao modelo. Em 1989 construí-o à escala 1/180 a pedido do meu pai para uma sua colega, bióloga como ele.


   Em 1971 o Gazela Primeiro foi vendido ao Museu Marítimo de Filadélfia nos E.U.A. e recebeu um novo nome: "Gazela of Philadelphia". O seu carisma único fê-lo protagonizar um importante papel no filme "A Viúva de St. Pierre" (The Widow of  St. Pierre) de que passamos um extracto. Agradecemos ao nosso amigo Cachinare77 ter-se lembrado de o colocar no YouTube.

Os Mares do Museu da Marinha: "PAÍS E EXPORTAÇÃO"

   O Museu da Marinha em Lisboa possui ainda algumas outras boas peças, além da magnífica garrafa de Giovanni Biondo. Hoje apresentamos uma realizada para promover comercialmente os vinhos do norte de Portugal



   Não sabemos qual é a sua datação exacta, mas, devido ao emblema real no gargalo, calculamos que será do fim do Séc. XIX, princípios do Séc. XX.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Oh, My Captain!

Encontrei no YouTube este filme de Ernest Kim que considero muito belo pela sua simplicidade. Trata-se de alguém que tem a construção de barcos em garrafas como passatempo e que decide um dia construir um barco para navegar no mar que vê da janela.



Eu próprio, miniaturista de barcos em garrafas, já naveguei pelo mar exterior ao das garrafas, mas não fiz o barco. Comprei um caiaque numa loja, levei-o para o mar em cima do tejadilho do carro,  não percorri qualquer rota desconhecida, não me esqueci de alguém e aqui estou eu ...um dia vou fazer um!




segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

O Mar da Cimeira de Copenhaga

Anteriormente tinha publicado um post sobre uma embarcação de carga, híbrida, moderníssima, que tinha uma gigantesca vela aérea como auxiliar do seu motor térmico. Graças ao blogue da APORVELA ficámos a saber que já há quem voltou a usar um velho e muito bonito veleiro como embarcação de carga. Trata-se do patacho  holandês "tres hombres" que se encontra agora em Copenhaga, como símbolo da mudança de práticas para a preservação climática e ecológica.



Talvez valha a pena notar aqui que a arte dos barcos em garrafas é inteiramente ecológica. Nela, apenas se utilizam materiais e objectos já usados e considerados sem préstimo como as próprias garrafas.

domingo, 13 de dezembro de 2009

O lunático dos barcos em garrafas


Clip retirado de One Sick Puppy. Para os amigos mais sensíveis dizemos, desde já, que a garrafa que protagoniza o papel de vítima tem um duplo que doou o seu corpo para o efeito.




quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O Mar do Buddelschiff Museum Neuharlingersiel

Junto ao Elba em Hamburgo, na Alemanha, existe o Museu dos Barcos em Garrafas, o Buddelschiff Museum  Neuharlingersiel. Segundo o seu site tem mais de 250 garrafas com barcos abrangendo três séculos (!!!???). Além destes "mares" o museu exibe ainda  colecções de conchas e antiguidades náuticas. 


Depois da garrafa de Biondo em Lübeck, esta é mais uma razão para ir rapidamente à Alemanha ver maravilhas como o Titanic da fotografia!!!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O Mar das Escunas

Um curioso vislumbre do primeiro festival anual da Escuna em West Grand Traverse Bay, Traverse City, Michigan, E.U.A., em 2009.



sábado, 5 de dezembro de 2009

O Mar da Jangada do Ceará

   As Jangadas dos pescadores do Ceará no Brasil atraíram-me sempre, nunca vi qualquer "mar" com tanto engenho de simplicidade como aquele! Será que os meus amigos do Brasil conhecem alguma garrafa com ele?

   O filme que apresentamos é um documentário, notável, sobre os pescadores da praia de Pecem, litoral do Ceará.



terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O Mar do Nuno Miranda


O Nuno Miranda, na foto, é um dos meus mais velhos amigos e foi com ele que aprendi a apaixonar-me por barcos. 


Em Angola, no Dundo, o mar ficava, a mais de um milhar de kms, em Luanda, onde embarcávamos nos paquetes coloniais para as férias no Puto (Portugal).

 

Os únicos barcos que tínhamos mais perto estavam no rio Luachimo e eram pequenas lanchas a motor. Uma delas tinha sido feita pelo pai do Nuno e  foi palco das mais inenarráveis aventuras!
  

Muito mais tarde, depois do meu regresso do Nordeste da Ilha de S. Miguel, onde vi o meu primeiro mar das garrafas, foi a minha vez de partilhar esta paixão com ele. Alguns dos resultados estão nas fotografias que se seguem:


Escuna americana         

















                                   Xaveco argelino













        
Caravela com pano redondo (portuguesa)                 

    

The lovely bones





No mês de Dezembro um filme com barcos em garrafas nos cinemas! 






domingo, 29 de novembro de 2009

Novos ventos para o mar das garrafas?

   Tal como no Surf onde já se utilizam papagaios em vez de velas,  na construção naval também se retoma o vento por essa via, levando a que o mar das garrafas o tenha que  ter em conta.  O MS Beluga SkySails é o primeiro navio de carga do mundo que dispõe de um novo sistema de propulsão pela acção do vento. Esta é uma solução sustentável para a redução do consumo de combustível, custos e emissões. Dependendo das condições do vento, os custos de combustível podem ser reduzidos entre 10 a 35 %.


sexta-feira, 27 de novembro de 2009

O lado negro da Dama Branca / The Dark Side of the White Lady


Visitei o Esmeralda na EXPO 98 em Lisboa. Durante a visita a uma embarcação tão bela ocorreu-me, no entanto, a inquietação de saber que a "Dama Branca" tinha sido usada como uma das prisões políticas de Pinochet. Outro dia lembrei-me desses momentos ao encontrar o trailer do documentário "The Dark Side of the White Lady" de Patrício Henriquez, realizado em 2006.




quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Mulher a bordo / Women on board

Eis mais um filme de animação a tocar no grande dilema destes marinheiros das garrafas. Segundo o resumo do seu argumento, há um enorme obstáculo entre a grande paixão da personagem -fazer barcos em garrafas na cave de sua casa- e a família -a sua esposa agressiva. Ela está sempre a perturbá-lo e, por isso, ele nunca termina um único barco. O ninho conjugal torna-se o cenário de uma batalha cruel cujo resultado revela os muitos e bizarros rostos do amor.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

The sea of my friend Alan Rogers


Hoje é um dia especial para o meu amigo Alan Rogers.


Alan and his wife, Julie


     Alan, me and another friend, Rick, at Sarilhos Pequenos, Moita, Portugal


Dedico-lhe este post mostrando uma bela prenda que ele fez e me ofereceu. Trata-se de um Galway Hooker dentro de uma garrafa.







 
Alan é um excelente miniaturista e é o editor da revista Bottle Ship da European Association of Ships in Bottles. Da última vez que nos encontrámos em Portugal mostrou-me a embarcação egípcia que estava a fazer e que agora já está pronta. É uma beleza!



















Feliz aniversário, Alan!!!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

HMS Beagle

   Navegando pelo You Tube cruzámo-nos muitas vezes com o HMS Bealge de Charles Darwin e foi impossível resistir a apresentar três  pequenos filmes em 3D.

   O primeiro filme em 3 dimensões mostra o aspecto geral do HMS BEAGLE, em que Darwin realizou a viagem em redor do Mundo entre 1831 e 1836. Neste barco ele efectuou a maioria das suas pesquisas experimentais antes de desenvolver a teoria que o tornaria famoso.



   O segundo filme leva-nos a percorrer o interior do Beagle num modelo de 3 dimensões para a Natural Selection Library.




   O terceiro vídeo 3D conduz-nos aos aposentos de Darwin no HMS Beagle, assim como à memória de um pequeno passeio à sua casa em  Down, Kent, Inglaterra.



quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O mar do Beagle

    Há algum tempo publiquei um post sobre um modelo do "Beagle" nome do veleiro em que Charles Darwin navegou para a descoberta da origem das espécies.


   Esse modelo  não foi o único modelo do "Beagle" que realizei, pois antes tinha feito um outro sem as obras vivas, também à escala 1/190.
   A primeira fotografia que se segue mostra a roda do leme com as suas 18 malaguetas, a segunda mostra o "mar" acabado e o filme,  realizado em formato VHS pelo Nuno Miranda, mostra a sua introdução num frasco de boticário. Este "Mar do Beagle" também foi oferecido a um distinto biólogo, meu padrinho laico, António de Barros Machado.







segunda-feira, 16 de novembro de 2009

O Mar de Gionni Biondi (a garrafa de Lübeck - 1784)

Em 1992 depois de termos "redescoberto" nos reservados do Museu da Marinha em Lisboa o "mar" de Biondo datado de 1792 (post anterior), pensámos estar perante a peça mais antiga conhecida. Por via das nossas navegações na Internet, pudemos, no entanto, saber que existe um outro, oito anos mais antigo, datado de 1784 e localizado no Museu Holstentor de Arte e Cultura Popular de Lübeck na Alemanha.




Apesar da distância que os separa, estes dois "mares" apresentam, contudo, uma relação profunda. A inscrição:

"Gionni Biondi fecit 1784" ,

revela-nos que foram realizados pelo mesmo artista, pois Gionni coincide com o nome de Giovanni e Biondi com o de Biondo do "mar" de Lisboa.






O "mar" de Lisboa apesar de menos antigo é mais completo em indicações. É por ele que se pode saber que Gionni Biondi se chamava realmente Giovanni Biondo, era "Capitano". (Com grande probabilidade da marinha de guerra) e era natural de Veneza.

O "mar" de Lisboa é constituído por um vaso de linha veneziano (com o leão alado da bandeira e da carranca na proa a atestá-lo) e o de Lübeck, apesar de não apresentar identificação é, segundo alguns investigadores, constituído por uma embarcação turca ou portuguesa. Sem uma análise detalhada do modelo de Lübeck não saberemos dizer qual a nacionalidade da embarcação. Teria sido portuguesa? A segunda metade do século XVIII foi fértil na constituição de armadas mistas com participação portuguesa e veneziana na luta contra os piratas da Barbária, mas... 



A técnica artística confirma a mesma autoria dos dois "mares",  em ambas as peças os modelos estão sobre a abertura do gargalo, demonstrando o mesmo estilo e, sobretudo o domínio de uma técnica arrojadíssima e muitíssimo invulgar. Ao contrário da técnica mais moderna  (muito mercantilista) em que as embarcações são totalmente montadas no exterior, introduzidas com os mastros deitados e articulados por um eixo na sua base através de cabos que saem pelo gargalo, as embarcações de Biondo foram montados no interior do recipiente. Os mastros não possuem eixos na sua base, tendo que ser montados com ajuda de estiletes. 


Se algum dia estiveram juntos, creio que esta é a primeira vez que estes "mares" assinados pela mesma mão se reencontram após duzentos anos!


Agradecemos a Peter Huber o primeiro contacto com o mar de Lübeck no seu sítio: http://www.mineral.at/

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O Mar de Giovanni Biondo (a garrafa de Lisboa- 1792)

   Nos anos noventa, creio que em 1992, passei muito tempo no Museu da Marinha em Lisboa, Portugal. 




  Acompanhado de dois saudosos amigos que aí trabalhavam, Mestre Luís Marques e Comandante  Raul de Sousa Machado, fiz um dia uma descoberta espantosa nos "Reservados" do Museu . Encontrava-se aí uma magnífica garrafa com uma fragata de guerra no seu interior, sobre o gargalo. Num manuscrito na base da fragata, cujo nome  inscrito no painel de popa era "FAMA", estava escrito:

"Giovanni Biondo Veneto Capitano fecce anno 1792",

ou seja "Giovanni Biondo, Capitão de Veneza, o fez no ano de 1792". Duzentos anos depois de feito, era sem sombra de dúvida o "mar" mais antigo de que tinha conhecimento. Além disso contrariava a ideia muito comum de que esta arte tinha começado no Séc. XIX e que era realizada por simples marinheiros. Este "mar" datava do Século XVIII e tinha sido realizada por um Capitão de Veneza chamado Giovanni Biondo.
  Na altura não sabia que era apenas o segundo mar das garrafas mais antigo, falaremos disso...


quarta-feira, 11 de novembro de 2009

O mar das garrafas do Amarillo College Natural History Museum

Desta vez trago-vos a Galeria  de barcos em garrafas do Amarillo College Natural History Museum, Texas, Estados Unidos da América.


segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O mar dos faroleiros

  Muito do mar das garrafas foi criado por faroleiros, aliando a sua solidão à beleza do seu mar.  

  O filme que se apresenta é de Jean René Keruzoé e mostra o tempestuoso mar dos faroleiros na Bretanha, em França.



quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O mar do Horn

   Apresento aqui um post muito especial com imagens que reportam à época dourada do mar das garrafas, quando os clipper ainda sulcavam os oceanos.
  A fotografia é retirada do blogue das Éditions MDV Maîtres du Vent. Representa a fiel companhia do marinheiro destas embarcações: o barco em garrafa.
  O filme é do jornalista australiano Alan Villiers que também se interessou pela "faina maior" (pesca do Bacalhau) realizada nos lugres portugueses. Mostra a travessia do Cabo Horn, uma das zonas mais temidas pelos marinheiros!



 The Cape Horn Road 
   


...

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Cruise Ship In Bottle

  Encontrei  esta variante norueguesa da realização de barcos em garrafas em  "Project in Stokmarknes, Vesterålen". Vale a pena vê-la!



terça-feira, 3 de novembro de 2009

A Fragata Blackwall do Joaquim

  O Joaquim foi o amigo com quem partilhei o primeiro ano de estadia na ilha onde descobri o mar das garrafas. Alguns anos depois ofereci-lhe uma garrafa com um dos meus primeiros modelos onde já se vê alguma preocupação com o detalhe, nomeadamente nos mastros.
  A garrafa que ofereci ao Joaquim teve, porém, uma história interessante. Numa primeira tentativa de erguer os mastros parti um dos cabos e só restava uma de duas soluções: ou partia a garrafa e salvava o barco (que tinha levado alguns meses a realizar) ou destruía o barco para salvar a garrafa. A segunda opção foi a escolhida porque era impensável partir uma bela e muito antiga garrafa de boticário e, assim, tive que realizar um segundo modelo. Uma coisa é certa, não precisei de voltar a fazer o suporte para a garrafa e nenhum foi tão belo como aquele!

sábado, 31 de outubro de 2009

O mar do "vieux cachalot"

Naveguei por uma galeria fotográfica de um "compagnon de route" com a alcunha de "vieux cachalot". Henry Rannou, é Bretão, tem um blogue magnífico  -já  listado-  chamado Aventures en Bouteilles e, além disso, é autor de vários livros sobre a matéria, nomeadamente um, intitulado  Guide du Modélisme Naval .
Como, infelizmente, não lhe posso pedir permissão para apresentar os seus trabalhos, pois não revela qualquer endereço, atrevo-me a pedir-lhe emprestada uma fotografia do seu trabalho com o navio escola português  Sagres.
Poderão ver que o mar deste marinheiro é de grande beleza.



quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Ahoy "Ship-Mite"

Acabei de encontrar «Ahoy "Ship-Mite"» (La Termite) nos mares da WEB. Imediatamente me lembrei do meu padrinho, laico, António de Barros Machado, um grande especialista em térmites, a quem ofereci o "Beagle" da fotografia.




terça-feira, 27 de outubro de 2009

Barcos e garrafas

Nenhum barco deixa de gostar de uma garrafa ...apenas quando ela lhe pede com demasiada insistência!




quinta-feira, 22 de outubro de 2009

O mar do Lugre Creoula



Adicionei uma nova ligação à lista dos blogues que aconselho, trata-se de um blogue sobre o Lugre Bacalhoeiro, de proa nórdica, "Creoula".
Como o meu saudoso amigo Samuel Corujo, de Ílhavo,  me tinha oferecido um modelo deste veleiro no Natal de 1993 mostro-o aqui.
O  filme que lhe segue mostra o Creoula na largada da regata dos grandes veleiros a 7 de Julho de 2007 em Alicante.




sábado, 17 de outubro de 2009

O mar da Póvoa


No Museu Municipal de Etnografia e História da Póvoa de Varzim, em Portugal, existe uma colecção de três garrafas com mar. Duas contêm veleiros e a terceira uma "Paixão". Este último tipo, de que nunca falámos, está intimamente associado ao mar pela religiosidade que ele inspira.



quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O mar da Bluenose

O mar das garrafas nunca existiria sem embarcações como as escunas que pudemos ver no post anterior. Continuando a navegar pelo mar cibernético encontrei um filme datado de 1938 com a famosíssima escuna de proa nórdica "Bluenose". Deliciem-se!


segunda-feira, 12 de outubro de 2009

The World in his arms




Encontrei um extracto deste  filme no Youtube em http://www.youtube.com/watch?v=TcaO6F7PzpI colocado por alguém identificado como "nebot1". Tal como para este amigo, presumivelmente galego, creio que representa uma das melhores cenas de barcos na história do cinema, não há dúvida que é fantástica!

Considerando que a "Canção do Mar" da portuguesa Dulce Pontes é uma das melhores canções sobre o mar -algo de que não discordo- este amigo introduziu-a como banda sonora do extracto da película onde, aliás, uma das embarcações é comandada por um português. Vale mesmo a pena ver este despique entre duas escunas bacalhoeiras de proa nórdica!

Diz o nosso amigo:

"La mejor escena de barcos de la historia del Cine
Extracto de la película "El Mundo en sus manos" (1952) Dir. Raoul Walhs. (Título original :"The World in his arms"), Interpretada por Gregory Peck y Anthony Quinn, en la que se muestra una de las mejores escenas de barcos de la historia del cine. Aquella célebre regata entre "La Pelegrina de Salem" (Pilgrim of Salem) mandada por "el Hombre de Boston" (Gregory peck) y "La Santa Isabel" mandada por "El Portugués" (Anthony Quinn). ¡
¡ Ala a disfrutarla !
Entre medio de fondo le he introducido "La Cançao do Mar" interpretada por Dulce Pontes, (en honor al "Portugués" :-), una de las mejores canciones para mi gusto sobre La Mar cantada por una voz prodigiosa."



Muito inspirado na beleza destas escunas apresento aqui uma imagem de uma das que realizei, em 1989, a escuna bacalhoeira "Elsie".




sábado, 10 de outubro de 2009

O mar da escola

No ano lectivo 1988-1989 leccionei na Escola Álvaro Velho do Lavradio.
O percurso  diário realizado de barco pelo Tejo, de Lisboa ao Barreiro, foi muito inspirador. Comecei a estudar as embarcações tradicionais do rio Tejo, a construir os seus primeiros modelos em garrafas e, também, a ensinar a construí-los. Formei um pequeno grupo de seis alunos, um dos quais paraplégico, que todas as semanas se dedicava à arte de construir modelos para colocar dentro de garrafas. O resultado surge no vídeo que apresento: uma Muleta, dois Caíques, duas Canoas da Picada e um Hiate de Setúbal. A escola devolvia o mar ao seu lugar, pois tinha o nome de um navegador da Expansão Portuguesa e situava-se num lugar onde os bacalhoeiros estacionavam entre duas fainas, enquanto as embarcações tadicionais realizavam as suas tarefas.



quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Vogar contra a indiferença


sábado, 3 de outubro de 2009

Os barcos em garrafas de Pablo Neruda







"...luego está la época en que coleccionaba barcos y dondequiera que hubiese un barco, esos barcos maravillosos, esos modelos de fragatas o barcos en botelhas, todo lo compraba. Todo el dinero que tenía era poco. Nunca tenía un centavo porque se los gastaba en sus caprichos del momento. "
(In PABLO NERUDA: LOS CAMINOS DE AMERICA (TRAS LAS HUELLAS DEL POETA ITINERANTE III (1940-1950), OLIVARES BRIONES, EDMUNDO, LIBROS ARCES-LOM 2004)
________________________________________________________________________________

“Es sabido que Pablo Neruda era un amante del mar, un horizonte capaz de ocultar misterios y sorpresas, y sobre todo, inspirar. La casa, no por casualidad, fue comprada a un capitán de navío español, por lo que estaba situada con una privilegiada vista al océano. El área, con su particular paisaje fue el escenario y fuente de inspiración para poetas de la talla de Huidobro, Los Parra y quizás uno de los más célebres de ellos, el propio Neruda. La zona, se conoce como Litoral de las Artes y los Poetas, por haber sido un espacio importante en las vidas de cada uno de ellos.


Fue Pablo Neruda el que estableció con el paisaje un vínculo tan especial, que construyó en la casa de Isla Negra su pequeño mundo a la medida de sus gustos y placeres. La vivienda está concebida como si fuera un barco, por ello eligió pisos de madera crujientes, techos bajos y hasta pasillos que simulaban los corredores de una embarcación. Cada espacio es un pequeño museo de objetos, botellas y barcos en botella, mapas y sobre todo, conchas marinas de las que Pablo Neruda más gustaba coleccionar.”

In http://viajesudamerica.com/isla-negra-el-lugar-en-el-mundo-de-pablo-neruda/ (Acedido em 2009.10.09)

Nas suas Odes Selecccionadas Neruda tem a "Oda Al Buque en La Botella" de que pudemos ler um extracto em Espanhol e em Inglês


Filme de animação: Daniel, une vie en bouteille

Daniel, la cinquantaine, a une passion: la construction de bateaux en bouteilles. Ce loisir, il l’a érigé au rang d’art. Un art où il excelle, un art qui le valorise, qui l’accapare jusqu’à en oublier l’existence de sa femme. Un art dans lequel il s’est inexorablement enfermé. Ce film racontera l’antagonisme entre passion amoureuse et passion artistique et la déraison vers laquelle elles peuvent mener. Daniel, une vie en bouteille est un film d’animation "volume" (pâte à modeler) de 15 minutes qui allie animations traditionnelles et nouvelles technologies.




Para ver o vídeo clique no título: "Daniel, une vie en bouteille"

O Bote da Lorena e do Luís



 Como tenho estado a falar dos Açores, resolvi expor agora um trabalho feito por volta de 1998. Trata-se de um bote de boca aberta com velas bastardas ou latinas, típico de S. Miguel. Realizei este trabalho numa garrafa de licor de maracujá "Ezequiel" das antigas e dei-o a dois grandes amigos de S. Miguel: a Lorena e o Luís, a quem também dedico este post.


quinta-feira, 1 de outubro de 2009

A Garrafa do Faroleiro do Nordeste

Em 1982 quando aluguei um quarto na Vila de Nordeste , Ilha de S. Miguel, Açores, a um ex-faroleiro havia algo maravilhoso em cima de uma cómoda, um veleiro dentro de uma garrafa.

O mais fantástico, no entanto, era que não havia qualquer corte na garrafa, indicando que tinha passado pelo gargalo e, sobretudo, não havia qualquer eixo na base dos mastros de modo a que pudessem ser dobrados.


Todas as noites antes de adormecer observava essa garrafa e colocava hipóteses sobre como a escuna teria entrado pelo gargalo, pois disso não havia dúvida. Como se teriam articulado os seus mastros sem um eixo na base de cada um?

Perguntei ao Sr. Manuel Julinho, ex-faroleiro e dono da casa, mas a garrafa tinha sido feita por um tio-avô -também faroleiro- e ele nunca tinha aprendido a técnica.

Em 1984-85, no meu último ano no Nordeste, resolvi comprovar a hipótese que acabei por considerar a mais pertinente: usando estiletes que empurrassem o topo e a base dos mastros, estes acabariam por erguer-se e seriam amparados pela pressão das enxárcias (cabos laterais que ligam o topo do mastro ao casco da embarcação). Se bem o pensei melhor o fiz e nasceu a minha primeira garrafa, intitulada "Madalena do Pico", que surge no post anterior.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Madalena do Pico

A Vila da Madalena é a porta de entrada para a Ilha do Pico e foi na sua paisagem que me inspirei para minha primeira garrafa com um veleiro, realizada em 1985 quando vivia na Vila de Nordeste, Ilha de S. Miguel. A garrafa é de Gordon's, depois de ter sido adquirida no Peter Café Sport  da Horta, Faial, conhecido entre outras coisas pelo seu gin.

domingo, 27 de setembro de 2009

A nova muleta para a garrafa da Ana

Na primeira fotografia pode ver-se a Muleta que estou a construir para substituir a que estava na garrafa da Ana (segunda fotografia). O casco oco, com cavername é feito em 3 partes (para poder entrar no gargalo) e está à escala.





sábado, 26 de setembro de 2009

Homenagem ao Dr. Manuel Leitão


Eis o livro que esperava, agora posso continuar a construir o modelo para a garrafa da Ana. O livro é bilingue (Português e Inglês) e é uma verdadeira bíblia para quem gosta de embarcações tradicionais, custa 10 Euros no Ecomuseu do Seixal .

Hoje soube que o Dr. Manuel Leitão já não está fisicamente entre nós. Lembro-me da Regata da Moita em que velejámos na "Canastrinha" e recordo a minúcia e o método com que analisava as diferentes partes das embarcações. O livro "A Muleta" terá sido porventura o seu derradeiro contributo, em co-autoria, para a história das embarcações do Tejo.  

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

A Muleta do Tejo da Ana

Em 1986 realizei o meu primeiro modelo de uma das embarcações que mais me atrai, a incomparável Muleta do Seixal.
Embora convicto de que era um dos melhores mares que tinha pintado, com o tempo fui achando que esta garrafa merecia um modelo mais aprimorado. Hoje, passados 11 anos, já tenho um novo casco realizado à escala e preparado para ser completado com o aparelho. A Ana, no entanto, continua sem  me perdoar o ter destruído este modelo que lhe oferecera para fazer um melhor!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Perfil de um modelista náutico (sem garrafas), Lenine Rodrigues (por Anabela Oliveira)

É homem claro, directo, de sorriso tímido e simples. Fotografias não são muito com ele. Trabalho sim. Só aí se solta e se esquece da máquina fotográfica. Maquetista Naval, Lenine Rodrigues é um homem de artes. Usa o cinzel como usa o formão, o berbequim, como o pincel. O que for não importa. É arte, ele faz.
A sua relação com o Tejo vem desde que nasceu, numa travessa virada para o rio, há 62 anos, entre o casario do Barreiro. Desde cedo se habituou a ver passar fragatas, faluas, bateiras e catraios e desde pequeno se apaixonou por barcos à vela. “Ainda hoje, sou incapaz de ver passar um barco à vela e não parar, para o observar”, afirma Lenine Rodrigues, maquetista naval. Desde a madeira a metais nobres como a prata, este homem dedica-se a fazer réplicas dos barcos que sempre o encantaram. Teimosia, é uma das palavras que mais utiliza para definir a forma como consegue a perfeição dos seus trabalhos. Nós substituímo-la por persistência deste homem que fez o seu primeiro barco à vela ainda miúdo, de cascalheira, a casca castanha do pinheiro bravo, raspado sobre o cimento até lhe dar a forma que gostou de ver. Um pau e uma vela de papel, e corre a experimentar pô-lo a navegar na bacia de lavar as mãos. Foi com tristeza que viu o barquito adornar. Hoje sabe o motivo, que na altura não sabia: o mastro era excessivamente grande para o tamanho do barco. E foram precisamente os barcos à vela que se dedicou a reproduzir, à escala exacta, escolhida por si ou pelo cliente.

Entre França e Portugal

Em 1957 o pai imigra para França. Dois anos depois Lenine segue o mesmo caminho com a mãe. Se em Portugal já se tinha tornado aprendiz de carpinteiro, em França aprende o ofício de torneiro mecânico, trabalhando com “os três tornos: o vertical, o paralelo e o suspenso”. Chegou ao mais alto nível deste ofício, “era requisitado para trabalhar na França toda, inclusive na aeronáutica”. Entretanto, ao mesmo tempo, frequentava a escola ABC de Paris, uma “escola de artistas plásticos: desenho, pintura, desenho publicitário, tudo o que dizia respeito à arte”. Para onde ia levava o papel e os lápis. Fez o curso pelo amor que desde miúdo sentia pelas artes plásticas mas também porque lhe prometeram emprego no fim do estudo. A falência da firma que o empregaria veio a impossibilitar esse sonho e Lenine manteve o hobby a par com o seu ofício. Por motivos particulares, Lenine Rodrigues regressa a Portugal em 1976. Continua a ser torneiro mecânico e não tem dificuldades em obter trabalho mas a doença surge-lhe pela frente e viu-se impossibilitado de trabalhar durante 2 meses. Um pneumotorax impedia-o de fazer força. Disse para a mulher “é agora ou nunca”, referindo-se ao que até aí havia sido o seu hobby.

De auto didacta a maquetista naval

No início era um ilustre desconhecido que trabalhava para si mesmo. A oficina era dividida em duas partes, uma onde trabalhava como serralheiro, a outra onde dava azo à sua veia artística. Pintura, gravura, escultura, maquetismo, tudo lhe servia para se entreter. Um dia o seu hobby foi descoberto por dois amigos, um deles jornalista. Na semana seguinte um jornal do Barreiro falava de Lenine Rodrigues e do seu trabalho. Surgiram as primeiras encomendas para o núcleo naval do Museu de Almada e não parou mais.A tal persistência e perfeição no que faz levam-no a não descurar qualquer pormenor e até os que não se vêem depois de acabada a peça, estão lá. Quando lhe perguntam porquê, se no fim não são visíveis, ele responde “mas vejo eu!”. É assim que cada barco tem beliches e toda a minúcia que lhes compete e cada modelo que faz é construído no tipo de madeira utilizado no original.

Um desafio vencido

Em 1998 Lenine Rodrigues aceita o desafio que lhe é colocado pela Joalharia Torres: fazer 13 miniaturas em prata. Trabalhar em prata é totalmente diferente de trabalhar madeira. Habituado a fazer os seus modelos em cavername, tal qual eles são construídos em tamanho natural e também através da prática que na gíria se chama o “pão com manteiga”, técnica que não perde valor, a prata obriga-o a martelar e moldar sobre um cepo: acerta de um lado, foge do outro. Mas “venci o desafio”, diz. As treze peças foram entregues e posteriormente expostas no Centro Comercial Colombo.
Afinal, o que é preciso para se ser um bom maquetista naval? “Para já, tem de se gostar daquilo que se faz. Tem de saber minimamente ler desenho naval e depois é cumprir à regra tudo aquilo que vem nos desenhos”. Dito assim parece simples, ao contrário de quando se olha para uma peça ainda em construção. Outra coisa de que Lenine Rodrigues sente necessidade é de se informar sobre a história do barco que está a construir. Autodidacta, os conhecimentos de carpintaria e de torneiro mecânico foram-lhe sempre úteis. “Para se poder ser torneiro mecânico temos de saber ler desenho, embora seja desenho mecânico. Quando se sabe é fácil compreender o desenho naval”, diz rematando: “e depois fui-me informando”.
Pintura, escultura, modelos em prata ou madeira, ourivesaria, gravação em básculas de espingardas, a tudo ele se dedica, desde que possa dar azo à sua imaginação e à sua habilidade manual.
Modesto, o facto de ter peças espalhadas por vários locais públicos e colecções particulares, entre as quais se contam a do rei Juan Carlos de Espanha, em nada lhe mudou a maneira de ser. “Não posso dizer que não sinto orgulho, mas continuo a ser a mesma pessoa que era quando me iniciei”.
 

 
Agradecemos a Anabela Oliveira a autorização para a reprodução do seu texto de:



Os barcos de prata de Lenine Rodrigues:

http://www.artbarreiro.com/artbarreiro1/lenine_files/2005/album/OsBarcosdoLenine/index.html




O cutter piloto de Bristol

O meu colega e amigo Manuel viu o meu blog e disse-me que devia colocar um post em que mostrasse como se introduzia um veleiro pelo gargalo de uma garrafa. O filme que se segue destina-se a satisfazer o "incrédulo".


O  "Marguerite", cutter (veleiro de um mastro) piloto do Canal de Bristol, foi realizado em 1992. Esta miniatura, a primeira que fiz sem pintura,  foi realizada à escala, o casco é oco e tem cavername.

sábado, 19 de setembro de 2009

Muleta do Seixal


A muleta é uma das embarcações portuguesas de pesca mais interessantes. Já extinta, era construída na área do Seixal deslocava-se para o oceano junto a Cascais para pescar. A pesca era feita com uma rede de arrasto paralela ao casco, pois a muleta arrastava-a navegando de flanco. Para o poder fazer existiam velas à popa e à ré e tinha um casco côncavo que diminuía resistência à água. Para ter estabilidade usava esparrelas.


 
...

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Celebre as Jornadas Europeias de Património com o Ecomuseu Municipal do Seixal

No Núcleo Naval de Arrentela (Seixal), dia 25 de Setembro, às 18.00 horas, participe na apresentação pública do livro A Muleta (Muleta é o nome da embarcação na garrafa do cabeçalho deste blog), uma edição conjunta com o Museu de Marinha, da autoria de Manuel Leitão, Ferdinando Oliveira Simões e António Marques da Silva (estes senhores são três grandes expoentes da arquitectura e modelismo naval tradicional português). A sessão constitui simultaneamente uma forma de assinalarmos localmente o Dia Mundial do Mar .

O livro A Muleta constitui um significativo contributo para a documentação, o estudo descritivo e a caracterização dos aspectos construtivos estruturais de uma embarcação que possui um enorme valor simbólico para as comunidades ribeirinhas do estuário do Tejo.

Não são miniaturas para garrafas, mas deve visitar-se com urgência, é muito inspirador!


quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Novo monumento ao mar


quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A garrafa ex-voto de Buarcos

Um ex-voto é uma representação de algo que se considera ter sido alvo de um milagre salvador. O seu intuito é o do agradecimento à divindade pela graça recebida sendo colocado em capelas e igrejas. A forma do seu registo pode ser muito diversa,  pintura, escultura, fotografia, etc. e em Portugal abundam motivos relacionados com a doença, a guerra -sobretudo a colonial- e também com os naufrágios.

De facto a vida do mar foi (e ainda é) muito propensa à produção de ex-votos e a exposição realizada no Museu da Marinha de Maio a Setembro de 1983, intitulada "Primeira Exposição Nacional de Painéis Votivos do rio, do Mar e do Além-Mar", apresentou uma grande série de paineis pictóricos com embarcações sujeitas a situações de desastre, mas que, terão sido salvas por milagres.

Interrogando-me se uma embarcação no interior de uma garrafa não poderia ser também um registo votivo, acabei por ter uma resposta afirmativa através de uma série de visitas a capelas marítimas. Na Capela da N.ª Sr.ª da Encarnação em Buarcos, Portugal, o meu olhar descortinou quase imediatamente uma garrafa com um veleiro, provando que este tipo de arte também tinha um carácter votivo. Afinal que melhor modo de agradecer um milagre salvífico do que através daquilo que aos olhos dos outros é também uma forma de realizar o impossível?




Como se pode ver no filme é uma garrafa muito invulgar porque o veleiro surge solto no interior da garrafa sem qualquer suporte e com as obras vivas (a parte do casco que fica submersa). O grau de dificuldade deste tipo de trabalho é bastante superior porque a acção sobre a miniatura pode movê-la, impedindo a eficácia do contacto das duas partes da embarcação (obras mortas e obras vivas) e a elevação dos mastros.

A datação aproximada da embarcação é realizada pela bandeira -Monárquica Constitucional- e pelo tipo de casco, típico da segunda metade do séc. XIX e princípio do Séc. XX e, assim, pode dizer-se que é uma peça centenária uma vez que a República fará 100 anos em Outubro de 2010.