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O NOSSO PROPÓSITO

O Capitão Haddock da banda desenhada do Tintin é uma boa caricatura de como se atribui a relação entre o mar e as garrafas ao alcoolismo dos marinheiros. No entanto a relação que mais nos interessa é a de que os marinheiros tinham com as garrafas já vazias. Tal como com o álcool, a atenção requerida pela introdução de modelos de veleiros no interior de garrafas -pelos seus gargalos- fazia-os evadirem-se da sua dura realidade. Ao contrário das fantasias de Baco o resultado desta outra relação era uma fantasia perdurável com um significado quase bíblico, o do buraco da agulha e do camelo.

O Mar das Garrafas será um espaço de divulgação de uma arte que, mais do que uma evasão, constitui um meio de trabalhar a persistência. Aqui apresentarei trabalhos já realizados, outros a realizar, trabalhos de outros, os resultados da minha pesquisa contínua sobre a história e as mútiplas envolvências desta arte, especialmente a das embarcações tradicionais.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

O Vidro do Mar


  A associação entre o vidro e o mar não passa apenas pelo vidro das garrafas com barcos, pois há o Vidro do Mar. Sim, com letras maiúsculas como qualquer nome que se preze, tal como na respectiva entrada da Wikipédia!
  Quem não deparou já com pequenas "pedras" vítreas, sem qualquer aresta, deixadas pelo mar nas praias?
  Pois bem, há coleccionadores desse vidro feito pelo homem e arredondado pelo mar. Vidro bem distinto daquele que é vendido aos saquinhos nos centros comerciais. É que este é um vidro  artificial, moldado de propósito para se parecer com aquele que o mar nos devolve com o seu efeito, romanticamente, natural.
  A mim atraiu-me esta envolvência do mar  no vidro porque apenas tenho lidado com a contrária. Além disso é mais uma concretização, poética, da associação intuitiva entre a transparência do vidro e da água.

3 comentários:

Maçã de Junho disse...

São os meus tesouros desde sempre... lembras-te? num cesto puxado por uma guita? Guardado debaixo da cama juntamente com paus de gelado, fios, brindes de bolo rei, conchas e tantos outros tesouros....
os vidros do mar ainda hoje são parte dos meus tesouros...

Beijo e Bom Ano pelo Mar das Garrafas!

David Luna de Carvalho disse...

Pois é... de facto havia qualquer recordação muito profunda!

Beijinhos

Nuno Miranda disse...

É natural que o vidro verdadeiro do mar seja diferente do vidro "turístico": como tirei um curso de recuperação e conservação de objectos do fundo do mar, posso dizer que o vidro não é um produto inerte: reage quimicamente com o cloro do sal marinho, alterando-se com o tempo, mudando a textura, adquirindo porosidade e, nos casos mais avançados de reacção química, adquirindo reflexos irisados e tornando-se translúcido. É impossível imitar!