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O NOSSO PROPÓSITO

O Capitão Haddock da banda desenhada do Tintin é uma boa caricatura de como se atribui a relação entre o mar e as garrafas ao alcoolismo dos marinheiros. No entanto a relação que mais nos interessa é a de que os marinheiros tinham com as garrafas já vazias. Tal como com o álcool, a atenção requerida pela introdução de modelos de veleiros no interior de garrafas -pelos seus gargalos- fazia-os evadirem-se da sua dura realidade. Ao contrário das fantasias de Baco o resultado desta outra relação era uma fantasia perdurável com um significado quase bíblico, o do buraco da agulha e do camelo.

O Mar das Garrafas será um espaço de divulgação de uma arte que, mais do que uma evasão, constitui um meio de trabalhar a persistência. Aqui apresentarei trabalhos já realizados, outros a realizar, trabalhos de outros, os resultados da minha pesquisa contínua sobre a história e as mútiplas envolvências desta arte, especialmente a das embarcações tradicionais.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

O Mar dos quatro jangadeiros do Ceará

"(cerca de setenta anos), quatro pescadores brasileiros lançaram-se ao mar para uma viagem que entrou para a história dos jangadeiros cearenses, da navegação, do Estado Novo e do cinema. Tão arriscada foi ela, que até na imprensa americana ganhou espaço nobre. Num artigo intitulado Four Men on a Raft (Quatro Homens numa Jangada), a revista Time (8/12/1941) reproduziu toda a odisséia de Manoel Olímpio Meira (Jacaré), Raimundo Correia Lima (Tatá), Manuel Pereira da Silva (Mané Preto) e Jerônimo André de Souza (Mestre Jerônimo), que a bordo de uma jangada singraram os 2.381 km que separam Fortaleza do Rio de Janeiro, sem bússola ou carta náutica. Algo parecido ocorrera em 1923, quando quatro jangadas, sob o comando de Mestre Filó, viajaram do Rio Grande Norte até o Rio de Janeiro, para reanimar os festejos do Centenário da Independência. Os jangadeiros potiguares foram brindados, na época, com um poema de Catulo da Paixão Cearense, mas seu feito não chegou à imprensa estrangeira nem virou filme.



Jacaré, Tatá, Mané Preto e Mestre Jerônimo partiram da antiga Praia do Peixe (hoje, Iracema), em 14 de setembro de 1941, e chegaram ao seu destino dois meses depois. Não participavam (num) rali ou (num) enduro patrioteiro, mas (num) reide com finalidade política. Os jangadeiros queriam chamar a atenção do País e do governo para o estado de abandono em que viviam os 35 mil pescadores do Ceará. Morando em toscas palhoças, nem do Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Marítimos eles recebiam ajuda. O presidente da República precisava saber daquilo. Ficou sabendo".
 A viagem de 3.000 Km foi narrada no documentário “It´s All True” (É Tudo Verdade), realizado por Orson Welles.

 

Para saber mais sobre este assunto visite o Sítio        http://jangadanantes.free.fr/4homjang_br.htm que transcreve o artigo do jornal "Estadão" de 15 de Setembro de 2001 que, por sua vez, transcreve excertos do livro  Orson Welles no Ceará, de Firmino Holanda (Edições Demócrito Rocha). Foi daí que retirámos o texto deste post.

2 comentários:

Leonel disse...

David, além desta viagem ao Rio, houve uma nos anos 50, que eu não sei precisar a data, mas que foi até Porto Alegre! Os envolvidos parece que eram os mesmos, pois me lembro de ouvir falar em Mestre Jerônimo e Tatá, dois desses jangadeiros. Acho que não eram potiguares, mas cearenses.
Eu me lembro que isto foi destaque na Revista O Cruzeiro.
Veja em: http://www.popa.com.br/imagens/ac/protesto.htm, tem fotos da chegada deles à Porto Alegre. Eu acho que não foi a mesma viagem dos anos 40. A jangada e as roupas e chapéus dos jangadeiros eu vi, no subsolo do Museu Julio de Castilhos, em Porto Alegre, no final da década de 60.

David Luna de Carvalho disse...

Muito obrigado, Leonel, vou ver, mas também creio já ter ouvido falar!
Um abraço e obrigado