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O NOSSO PROPÓSITO

O Capitão Haddock da banda desenhada do Tintin é uma boa caricatura de como se atribui a relação entre o mar e as garrafas ao alcoolismo dos marinheiros. No entanto a relação que mais nos interessa é a de que os marinheiros tinham com as garrafas já vazias. Tal como com o álcool, a atenção requerida pela introdução de modelos de veleiros no interior de garrafas -pelos seus gargalos- fazia-os evadirem-se da sua dura realidade. Ao contrário das fantasias de Baco o resultado desta outra relação era uma fantasia perdurável com um significado quase bíblico, o do buraco da agulha e do camelo.

O Mar das Garrafas será um espaço de divulgação de uma arte que, mais do que uma evasão, constitui um meio de trabalhar a persistência. Aqui apresentarei trabalhos já realizados, outros a realizar, trabalhos de outros, os resultados da minha pesquisa contínua sobre a história e as mútiplas envolvências desta arte, especialmente a das embarcações tradicionais.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O Hiate de Setúbal

O Hiate de Setúbal ou Hiate Português, é datado do século XVII, mas foi na segunda metade do Séc XIX, que se estereotipou esta forma de "hiate", facilmente identificável pelos seus dois mastros, o da frente (traquete) quase vertical, implantado muito avante, e o de trás (grande), a meio navio, inclinado 15 graus à ré. O gurupés, muito curto, era quase horizontal. As velas eram duas de carangueja e um estai. O casco era único, com as suas formas arcaicas de proa e de beque esculpido.
O Último exemplar do Hiate de Setubal, o "Estefânia", navegou até cerca de 1970 e hoje já nem se conseguem identificar alguns restos apodrecidos da mais típica embarcação do Sado. Com a intenção de dar às gerações futuras sabedoria e experiência, o Clube Naval Setubalense, com o apoio da Câmara Municipal de Setúbal, de algumas empresas e pessoas, entre elas o Engenheiro Henrique Cabeçadas, quiseram, em 1986, proceder à reconstrução de um Hiate de nome Santo António, cujo o casco estava enterrado, na costa do Sado, apodrecendo na lama. As dificuldade foram muitas, e como o casco não se encontrava em condições de uma recuperação, decidiu-se construir um Hiate de raiz .
Assim em Maio de 1993 o Mestre Jaime acompanhado por muitos homens, dispostos a trazer de volta um exemplar das mais belas navegações sadinas, levaram até ao estaleiro de Sarilhos Pequenos mais de 100 toneladas de madeira vinda de muitos cantos do país.
As suas dimensões eram as características:

• Comprimento fora a fora (comp. total): 15 a 19 metros
• Boca (largura máxima): 4,3 a 5,2 metros
• Pontal (altura do casco): 1,5 a 1,7 metros

A tarefa referida, difícil e dispendiosa, teve mesmo no final um pequeno grande precalço: ao colocar o mastro da frente, a madeira deste cedeu, devido a uma doença da madeira; não impedindo que se cumprisse a tradição de colocar debaixo do mastro principal 2 moedas com a data de construção do navio.
Foi a 9 de Julho de 1994, que o Mestre José Henriques de 94 anos,viu lançar ao mar, um Hiate igual aos de onde brincava em criança.

Adaptado de:
http://www.ensetubalense.com/seccao.php?op=hiatesetubal&mod=historia (acedido a 04.2008)

1 comentário:

Luís Sérgio disse...

David !
EXCELENTE. Isto não é apenas um começo , é já um trabalho de grande qualidade. Informação, interessante e com grande rigor histórico, assim compreendo melhor :Quanta vida vai nas garrafas.
isto é um bom começo, ficamos à espera de "postagens regulares"
Boa navegação neste mar cibernético.

Abraço,

Luís Sérgio