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O NOSSO PROPÓSITO

O Capitão Haddock da banda desenhada do Tintin é uma boa caricatura de como se atribui a relação entre o mar e as garrafas ao alcoolismo dos marinheiros. No entanto a relação que mais nos interessa é a de que os marinheiros tinham com as garrafas já vazias. Tal como com o álcool, a atenção requerida pela introdução de modelos de veleiros no interior de garrafas -pelos seus gargalos- fazia-os evadirem-se da sua dura realidade. Ao contrário das fantasias de Baco o resultado desta outra relação era uma fantasia perdurável com um significado quase bíblico, o do buraco da agulha e do camelo.

O Mar das Garrafas será um espaço de divulgação de uma arte que, mais do que uma evasão, constitui um meio de trabalhar a persistência. Aqui apresentarei trabalhos já realizados, outros a realizar, trabalhos de outros, os resultados da minha pesquisa contínua sobre a história e as mútiplas envolvências desta arte, especialmente a das embarcações tradicionais.

terça-feira, 9 de março de 2010

O Mar, poético, de Johanna M. Evenson

Johanna M. Evenson  soube que tinha publicado o seu vídeo com uma canção sobre barcos em garrafas, que pode ver aqui. Como estava em Sueco esta Senhora resolveu enviar-nos  uma tradução em inglês. 

Thanks Johanna, this is a beautiful poem!

The Ship in a Bottle

With her sails raised and the flag at the top
the ship in the bottle has waited, and almost given up
her dream of one day going to sea
and saying good bye to

the bottle that is holding the sailboat captive,
because the bottleneck is narrow and the only exit.
Placed as decoration on a shelf in the living room
is the ship, which never seems to stop mystifying

a number of guests who are asking themselves: How
did the ship’s builder get the ship into the bottle?
But one day the grandchild Hans sees the boat.
He pulls up a chair so that he can reach it.

As he touches the glass bottle
the bottle falls to the floor and breaks.
The freed boat sails on the sea of glass
and the boy, despite the accident, smiles satisfied.

Carefully he takes the ship in his arms
and runs to the beach and builds a port.
And suddenly the moment of launching is here!
So erect the mast on our proud galley-ship

when she raise the anchor and sails away
without a captain and without a sailor.
She is coasting along on her maiden voyage.
She is steered by the wind that suddenly turns into a gust.

It pulls the sails and asks her to dance,
but the ship, she looses her balance.
She capsizes, sinks and is drowned by the sea
that finally is going to be her grave.

She is sucked to the bottom and she lands at last
on a soft seaweed branch.
She is resting in the silence, everything is quiet
until one little roach, for whom things almost ended badly,

hides itself in the ship, away from hungry fish
that angrily whip their tails around the boat.
And the ship is happy with the task she has been given
and things back at the time that is past.

Her voyage was short but she enjoyed every minute,
and although she ended up a ship-wreck at the end
our ship in a bottle thinks that what is important
is that she become a real ship at last. 







1 comentário:

Luís Sérgio disse...

A todos os títulos e em todos os sentidos uma imagem de grande significado e rara beleza.
Obrigado pela partilha.
Abraço,

Luís Sérgio