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O NOSSO PROPÓSITO

O Capitão Haddock da banda desenhada do Tintin é uma boa caricatura de como se atribui a relação entre o mar e as garrafas ao alcoolismo dos marinheiros. No entanto a relação que mais nos interessa é a de que os marinheiros tinham com as garrafas já vazias. Tal como com o álcool, a atenção requerida pela introdução de modelos de veleiros no interior de garrafas -pelos seus gargalos- fazia-os evadirem-se da sua dura realidade. Ao contrário das fantasias de Baco o resultado desta outra relação era uma fantasia perdurável com um significado quase bíblico, o do buraco da agulha e do camelo.

O Mar das Garrafas será um espaço de divulgação de uma arte que, mais do que uma evasão, constitui um meio de trabalhar a persistência. Aqui apresentarei trabalhos já realizados, outros a realizar, trabalhos de outros, os resultados da minha pesquisa contínua sobre a história e as mútiplas envolvências desta arte, especialmente a das embarcações tradicionais.

sábado, 21 de agosto de 2010

O "Mar dos Naufrágios", a praia de Xai Xai em Moçambique


O Séc. XVI foi aquele em que os portugueses  atingiram o zénite da sua expansão oceânica. Nos custos desse processo contam-se os naufrágios e calcula-se que, em média, 1 em cada 4 navios naufragava.
Estes "Mares" de naufrágios sempre me interessaram e, como já aqui assinalei, durante estas férias estive a ler a História Trágico-Marítima desta expansão. O que não imaginava no início das minhas férias é que iria passar por uma das praias mais famosas devido a um desses naufrágios: a praia Sepúlveda de Xai Xai em Moçambique.

Em 1552 a nau (galeão?) S. João, vinda de Cochim na Índia e dirigindo-se a Lisboa, naufragou nos recifes de coral da praia de Xai Xai. O seu capitão Manuel de Sousa Sepúlveda, sua mulher, Dona Leonor de Sá, e seus filhos, acabaram por morrer conjuntamente com grande parte da tripulação depois de terem conseguido chegar a terra e aí terem empreendido uma caminhada para a sua salvação.

O registo deste naufrágio deveu-se a um anónimo e, como o de muitos outros, foi publicado em literatura de cordel, tendo depois sido republicada por Bernardo Gomes de Brito na História Trágico Marítima (A versão digital desta obra pode ser adquirida, gratuitamente, em: http://purl.pt/191)


  
 Há alguns anos o compositor e cantor Fausto Bordalo Dias editou um disco, cuja beleza é impossível de caracterizar, com a história desses mares de naufrágios e a busca de caminhos salvíficos pelas terras africanas a cujas praias iam parar, chamado Por esta terra ardente, de que podem ver e ouvir o ensaio de uma das músicas no vídeo que se segue.




Bem, mas voltando à minha estadia nessa praia, aqui vos deixo umas fotografias e um vídeo do meu mergulho junto ao recife do naufrágio (de que já não há vestígios físicos).




 


A minha insignificância perante a grandeza do recife de coral



Os meninos da praia, fabricantes e vendedores de colares de conchas (Fotografia de Pedro Cadete)


 
Agora que me inspirei tenho de fazer um "Mar de Naufrágio" com uma nau do Séc XVI! Existem muito poucas cenas de naufrágio em garrafas e, geralmente, sobre o episódio do Titanic como o da fotografia que se segue.

http://gelenissart2.blogspot.com/2009/12/petites-maerveilles-4.html

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